Não lembro a última vez que olhei em teu rosto e te vi sorrir. Não um sorriso qualquer, mas aqueles que tu costumavas dar logo que nos conhecemos. Um sorriso que chegava a teus olhos e os fazia brilhar.

Não lembro a última vez que, após uma situação difícil ou dolorosa, ouvi tuas palavras roucas, embargadas pela emoção, declarar teu amor e gratidão pela companhia, parceria e cuidado contigo.

Não lembro a última vez que te vi desesperado, gritando meu nome ou chorando, pedindo ajuda enquanto eu corria ou saia de onde estava pra atender aos teus chamados com o coração apertado de preocupação.

Não lembro a última vez que senti teu corpo tremer sobre o meu no vai e vem das nossas almas ou sob o carinho das minhas mãos e língua em ti. Teu orgasmo sempre tão potente, teus gemidos de prazer soavam como uma oração, súplicas a quem te aparecia como uma Deusa encarnada do prazer.

Ao dizer que não lembro, eu minto. Lembro de cada minuto, cada segundo ao teu lado durante nossa longa caminhada. Lembro de nossas tristezas, nossas alegrias, nossas brigas e reconciliações. Lembro de absolutamente tudo desde que nos conhecemos até o minuto em que me disseste adeus. Pessoalmente e por telefone.

Ao cantar aos quatro ventos que te superei e estou livre de ti, também minto. Tento me defender do que a tua lembrança faz comigo. Ela me quebra e eu me arrasto por aí do jeito que dá com o que me resta, o que é menos de metade do que fui contigo. Sozinha, partida, perdida.

Ao dizer que não te amo mais, eu minto descaradamente. Meu amor continua aqui, guardado a sete chaves, esperando a chance de se fazer ouvir, de bradar ao mundo que ele existe e que é teu. Teu e de mais ninguém.

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