Venho me enganando há meses. Espera. Não sei se usei a palavra certa. Engano? Talvez eu tenha simplesmente fugido de ti durante esse tempo. Não exatamente da tua pessoa, não faria sentido devido à nossa situação. Mas fugia dessa dor horrorosa que sinto toda vez que penso em ti ou em nós dois. Imaginei que tivesse te esquecido, mas o que fiz foi juntar tudo: tu, as memórias, a tristeza, a dor, a esperança, os planos, enfim, tudo em uma gaveta lá no fundo da minha mente. Tranquei e escondi a chave embaixo de todas as calcinhas e sutiãs na gaveta de lingeries. Veja que idiotice a minha... Esconder tanta coisa de mim mesma. Até parece possível essa noção que de tão surreal beira o ridículo.
Hoje, vi-me sozinha, arrumando as coisas, organizando os pensamentos. Mexi aonde não devia e acabei com a maldita chave nas mãos. O que fiz? Voltei a pensar em ti. Voltei a lembrar tudo que passamos juntos. Podia jurar que havia esquecido a reverência no teu olhar toda vez que teus olhos encontravam os meus. Ledo engano. Consigo ver ainda como era palpável o amor que jorrava das tuas duas poças de água cristalina. Por falar nisso, não encontrei mais olhos azuis como os teus e olhe que eu tentei. Desesperamente. O teu toque... O que falar dele? Não lembro de ter sentido antes tanto carinho, admiração e respeito nos contatos mais despudorados. Teu abraço.... Aquele último abraço apertado que me desses antes de partir. Arrependo-me amargamente do que disse. "Vai. Se tens que realmente ir, vai logo". Palavras ditas com pressa por que não queria que me visses chorar. Não queria que te sentisses culpado pela minha tristeza. Só para saber depois que fizeste a mesma coisa e que as lágrimas jorraram escondidas de ambos os lados. Dois tolos.
Quando viraste essa pedra de gelo, esse monstro da indiferença? Quando eu virei essa bagunça louca, essa mulher perdida e sem rumo? Não sei. Mas não gosto de como nós terminamos. Não gosto desse final. Não que eu quisesse o mais perfeito dos happy endings, mas precisava ser assim tão trágico, tão oposto ao que queríamos há menos de um ano atrás?

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