Nuisance

- E os namorados?
- Namorados? No plural mesmo?
- Você ainda está solteira?
- ...
- Menina, você precisa sair mais comigo. Amanhã mesmo vou ao pagode, no fim de semana tem o show daquela dupla sertaneja. Vai ser muito bom.

Veja bem, minha querida, namorar para obter status social nunca foi interesse meu. Eu não entro em um relacionamento amoroso para poder abrir a boca e dizer que tenho uma porra de um namorado. Prefiro a paz de estar solteira a qualquer idiotice dessas. Outra coisa, e por favor aprenda, estar sem namorado não significa estar sozinha, nem muito menos estar há anos sem sexo. Aliás, desde quando a minha vida amorosa virou o assunto do momento? Como se eu fosse cometer suicídio auditivo para arrumar homem. No dia em que você me achar em um show de pagode, forró, axé, brega, funk ou qualquer outra merda dessas, pode me internar em um hospício. Ou melhor, por favor, me interne. E logo.

- Err... Pode ser. Eu te ligo amanhã.
- Ligue mesmo. Eu passo aqui e te pego, sem problema algum.

Mas que desespero é esse? Não deveria ser eu a maior interessada nessa desculpa esfarrapada de conversa?

- Beleza.
- Até depois, então.
- Tchau.

Deixa eu desligar o celular antes que eu perca a paciência com o resto do mundo. E depois? Bem, depois eu rezo para ela ter esquecido o número do telefone da minha casa. Acredite, quando um ateu apela para a reza é por que a provação ultrapassou os limites da racionalidade.

2 comentários:

Lucas Lisboa disse...

Eu já lhe disse o quanto acho sua prosa genial?
Esse é mais um exemplo.

Kaká Maki disse...

Adorei seu blog,
viste o meu também http://rascunhosdekarinamaki.blogspot.com.br/
=D