Hanna

Mergulho em pensamentos muito fácil e, na maioria das vezes, acabo verbalizando aquilo que não deveria. Foi assim que me meti em uma das maiores confusões da minha vida. Me diverti muito, mas tive uma grande dor de cabeça. Afinal, um homem apaixonado é pior do que dez mulheres no mesmo estado.

Confesso que a obscenidade daquele olhar me encantou durante um bom tempo e tivemos um relacionamento fora dos padrões. Digamos que envolvia basicamente sexo e quase-nada-mais. O que somou vários pontos positivos para o tal sujeito. Não fazia outra coisa que não trepar, trepar e trepar. Em todos os lugares possíveis, de todos os jeitos, a qualquer hora... Uma loucura só! E até que, lembrando bem, dá saudade. Mas pintos não faltam nesse mundo. Nem bocetas.

O que, diabos, eu falei? Sinceramente, não acho que tenha sido algo surreal. Apenas expus uma vontade que a posição machista dele não aceitou muito bem. Deve ter ficado com o cu piscando. Literalmente. O problema é que a repercussão foi de um tamanho insuportável e eu detesto coisas que não cabem em mim. Se não conseguir aturar, tchau e pronto. Vieram choros, pedidos, telefonemas... o imbecil chegou até a me perseguir. Me encontrava "acidentalmente" mais de uma vez por dia. Todos os dias. Um verdadeiro inferno.

- Quanto tempo você agüenta?

- Depende, o que quer que eu agüente?

- Você só fala e fala e fala e nada mais. Talvez nem note a minha presença.

- Sem dramas, Joana, sem dramas.

- Te esperei tanto...

Olhei aquele rosto tão bem desenhado, de traços tão perfeitos. Os olhos grandes não disfarçavam a insegurança; nem o corpo, os tremores. Havia algo de encantador nela, de perturbador. Tinha um ar pudico, mas me permitia as investidas mais insanas. A boca era deliciosa, mas a preferia calada ou apenas gemendo. Aliás, de uma maneira bem contraditória, uma das coisas que me fizeram voltar a atenção à ela foi a primeira frase que disse, ao que respondi na mesma hora:

- Não seja meu futuro.

- Por quê?

- O presente é sempre mais atraente.

***

11 comentários:

Lúcia disse...

Caalma, tá quase pronto! Hahahh!

João disse...

Uau. Acompanhando. Adorei te ler.

Thiago Kuerques disse...

Voce humilha os mau escritores e os pudicos em questao.
Beijos

Daniela Pereira disse...

Fico presa as tuas palavras :)
A única coisa que realmente se vive é o presente.

Não abandones esse dom das palavras, que sejam das cores do arco-íris!

***

Isa F. disse...

Ha eu nao pensei nisso, so estava mencionando algo que eu sinto em relação ^^

Tadeu Alves disse...

Oi Moça.
Adorei essa historia. Agora to acompanhando melhor seu blog. Andava sem tempo de ler também. Até livros deixei pela metade aqui rssss. Ta certo que sempre leio no mínimo dois ao mesmo tempo.
Quanto a sua curiosidadezinha sobre o meu After Dark... não tenho como te dizer precisamente quantas partes são, nem eu sei direito, passei um ano escrevendo e divido as partes na hora de postar. Mas fazendo um calculo por alto acho que vai ficar entre 20 e 30 partes, depende de como eu conseguir dividir. Mas antes dele acabar vou publicar outras coisinhas novas no meio.
Bem... vou “calar” meus dedos por aqui, caso contrario isso vai parecer mais um post que um comentário rssss. Obrigado pela visita e pelo comentário o Bird agradece.
Beijos

L.S. Alves disse...

Gosto de filmes e contos assim. Que deixam um mistério sem solução. Afinal o que ela falou? Ninguém jamais saberá. Será que a autora sabe?
Um abraço moça.

disse...

Essa série sempre dá o que falar! Ai, ai...

Jura que não viste aqueles filmes??? Cara, vê, urgente! Pra gente comentar. :)

Monalisa disse...

Cheguei a pouco, mas ja aguardo a segunda parte... o clima de suspense... excita e deixa a expectativa...
Parabéns

leila saads disse...

Esse final ficou tão bom que vai parar nas minhas anotações.

Beijos!

Anônimo disse...

conto de relidade-ficção.se real ,pena que a paixão virou obesessão,mas vale o tempo da sanidade vivido com ardor.Se ficçao,um ensaio para a loucura da paixão.coitado do imbecil(que ama assim)né?