Pensei em te ligar. Peguei o telefone tantas vezes, mas me faltou coragem. Coragem, acredita? Logo eu! Quando olhei o relógio, já havia passado mais do que minutos, horas. Estou começando a ficar preocupada com a minha sanidade. Sabe por que quis discar teu número? Só para ouvir tua voz. Na verdade, não. Tua respiração. Queria apenas te sentir perto, é isso. Queria me iludir mais um pouco, só um pouquinho mais. Essa sensação esquisita de falta. Falta um pedaço, falta um inteiro. Só tem vazio. Na sala, no corredor, no meu quarto. Só tem vazio. Nos meus olhos, nos meus lábios, nos meus gestos. Só tem silêncio. Eu não sei, não quero saber o que é isso. Não quero pensar, não agora. Não, por favor. Pensar só me destrói. Pensar não me faz a mais otimista e feliz das pessoas. Pensar é quase como uma maldição. Quero que a minha racionalidade suma. Quero ser burra. Quero ser só sentimento. Quero a tua leveza só minha, por mais que não saiba, eu quero. Por mais que não valha a pena, eu tento. Eu quero tentar. Me deixa tentar? Tudo deve ser tão novo, é estranho me ler assim, não é? Tenho certeza que não desconfias de nada. Enfim, consegui me controlar. Por fora, claro. Por que por dentro... ah, se soubesses o que acontece aqui dentro! Os pensamentos que me vêm, as vontades que me surgem, as raivas, as tristezas. Aprendi a não vomitar mais nada na cara de ninguém. Quem gosta de pessoas assim, insuportavelmente verdadeiras? O certo é viver tudo internamente. Que o exterior seja pintado com todas as cores do arco-íris. Por mais que sejam falsas e inúteis. É assim que se vive, é assim que tem que se viver hoje em dia. Eu só queria poder dizer, poder gritar aos quatro ventos o que venho guardando, o que está entalado aqui ó, na minha garganta. Por que está me fazendo mal, estou ficando doente. Loucura é doença, sabia? Quando a linha do tolerável romper não vai ter mais volta. Aí só vivendo desses remédios psiquiátricos famosos que nos põem de volta à tão querida normalidade. Tão falsamente risonha. Tão assassinável. Quer saber? Pouco me importa isso tudo, pouco me importa os outros, pouco me importa o que poderias pensar de mim. Pouco me importa! Tudo isso para falar de amor? Até eu me sinto a mais ridícula das mulheres... mas é a verdade, tudo isso só para falar da porra do amor. Por quê? Por que eu te amo. Assim, simples: eu te amo. E tenho te amado calada por todo esse tempo, tenho me auto-flagelado, me degustando no maior estilo "canibalista" de ser. Pronto, falei.

27 comentários:

Gabriela. disse...

Eu soube bem o que é isso de querer e não poder sem ter. De sentir saudade dolorida. Sofrida. De querer uma migalha que fosse. Mas que calava. Engolia, sublimava. Foi o melhor que fiz.

E me mastiguei por um bom tempo. Até que me enjoei.

PequenAprendiz disse...

Que linda!!!
Dona Bárbara em puro sentimento e revelação!
O máximo de ruim que pode nos acontecer ao tentar é ouvir um não.
Ame.
Viva.
Fale.
Tente...
De alguma forma vai aliviar, acredite.
"Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho. Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz..."
Um beijo.

Edgar Sollers disse...

"Quem gosta de pessoas assim, insuportavelmente verdadeiras?" Acho que ninguém, Babs. Coloquemos nossas máscaras para o baile. E tiremos, apenas para escrever.

Leila Saads disse...

É tão ruim se sentir assim. Falando, vem o sentimento de fraqueza. Calando, é a angustia que não vai embora. Por própra experiência, melhor correr atrás do que pensar no que poderia ter sido - mas não foi.

Beijos!

disse...

Adoro quando escreves desse jeito, em tom epistolar. Parece que estou lendo um papel sob a luz de uma vela, em segredo, invadindo a intimidade de alguém. Lindo, B. Pra variar.

Edson Bezerra disse...

Botar para fora o que sentimos mesmo é extremamente difícil. Para qualquer um...

Beijão

Gilgomex™ disse...

E tudo isso que vc escreveu me parece bastante normal em se tratando de amor...
Me lembro como era nos meus tempos de paixões e amores (não que eu visse ou veja, alguma diferença entre eles) sem limites.
Hoje em dia já não é assim, vivo numa situação cômoda, até certo ponto, então, me faz relembrar muitas coisas, ler textos assim...

Jaya disse...

Bárbara,

É tão você, nesse texto. É, eu tomei liberdade de criar uma personalidade pra você. Rs. Mas eu gostei do desabafo. De notar os rebuliços que o amor continua a fazer por onde passa. Danado, ele. Ousado. Atrapalhado. Maluco. Mas, sabe? Sorte daqueles que o encontram. Que o encontram, que o reconhece, que botam pra fora e pronto. Sorte a tua.

Eu bem sei como é isso de ver a coragem correndo. De ver minutos virarem horas enquanto se espera que ela retorne. Ficar olhando pro telefone esperando não sei o quê.

Bonito é escrever, por fim. Expulsar. É assim que torna real.

Beijo pra você.

P.S.: Obrigada pela visita em Paquetá. Bom demais te receber!

Francieli Hess disse...

Cá entre nós, o teu blog é o meu predileto. Visito uma infinidade de blogs, e todos, absolutamente todos são piegas, escritos com falso sentimentalismo, simplesmente enfeitado por belas palavras ( apesar de que isso é controverso, uma vez que todas as palavras são belas, pelo simples fato de que compõem histórias), porém, aqui, é impossível explicar, é a alma quem fala, sinceridade presente em cada sílaba. Texto tocante, profundo.
Pois grite, menina. Deixe de lado o orgulho e grite; pois bem melhor ser notada e voltar à banal desilusão do que continuar sob um manto de invisibilidade sufocante.

Reflexões de uns dias... disse...

Voltei!

e estou feliz!

visite-me novamente.

Abraços! (:

http://sandluckily.blogspot.com/

Francieli Hess disse...

Bárbara, manda teu endereço de e-mail pra mim? Vou tornar meu blog disponível apenas pra leitores convidados.

Morganna disse...

tu arrasou, menina. é de alma e é incrível te ler. incrível.

Edna Federico disse...

Já passei por isso, essa loucura de querer ao menos ouvir a respiração...é duro!
Beijo

Daniela Pereira disse...

em vez de perguntar 'porque?'
Pergunte 'porque não?'

A vida é mesmo curta, porque não vive-la?
Não fazer o que queremos?

Arrependimento ? Só daquilo que não se faz.

Força :)

Beijos *

Sunflower disse...

Bárbara, Linda,

tem gente que não acredita em deus, eu acredito, sou bem espiritual (mas não religioso) o que eu não acredito, de jeito nenhum, é em inteligência emocional.

Eu ligo é merrrmo!

beijaenãotepreocupaquetelimerrrmo

PS: Tentei te linkar, mas a porra do blogger não deixou por causa que vc é sensorada como para maiores de 18.

Cais da Língua disse...

E falou muito bem
estou nesse novo endereço agora
;)

Ana Cláudia Zumpano disse...

Oi Bárbara,
estou sem internet então fica difícil entrar aqui sempre... mas é sempre um prazer!
Quanta sinceridade... senti a angústia aqui dentro de guardar isso tudo, não pode! devia ter dito antes, tem que dizer sempre. Ser mulher ridícula chorando descabelada e ligando loucamente p dizer que ama... faz bem pra alma, dizer oq sente, pensa sem sentido nenhum, sem ordem, sem medo...
adorei querida!
admiro teus escritos sempre!
beijos ;*

instantes e momentos disse...

muito bom tudo aqui. ótimo blog.
Maurizio

Rafael Velasquez disse...

colocou para fora.
mas essas cousas passam, comigo passam, é como um poeminha do Leminski:

de noite
uma estrela pinga no meu olho
e passa

Ane Talita disse...

Bonita...
lindo como sempre...É tão secreto, tão intenso...aiai


beijo!

Mariliza Silva disse...

Eita que o amor te contagiou e a melhor forma é deixar o amor alastrar e tomar conta do que não é nosso como pensamos: nosso coração


Beijão querida, some não

Mariliza

Jeniffer Santos disse...

uau!
bom txt,aliás mt bom!

heheh xD

beijos

Camilinha disse...

pensar é quase como uma maldição, você diz. mas eu digo que ver, é pior. a nossa cegueira cotidiana nos nega as cores, o brilho, a lucidez das coisas importantes. abrimos os olhos para o superficialismo das texturas, dos gestos, das palavras. porque é isso que queremos ver.
você não é cega, Bábara, e você tem a visão de um cego que enxerga muito mais além do que já está aí.


beijos daqui...

Maria Fernanda disse...

Tantos rodeios para se falar de amor. O bom e velho amor. Aquele que desgasta, consome e maltrata...

Sonebald disse...

Realmente espetacular :*

o amnésico disse...

O certo é viver tudo internamente. Que o exterior seja pintado com todas as cores do arco-íris. Por mais que sejam falsas e inúteis.

Instruções para se fazer uma bomba-relógio.

Lana disse...

Fantástico!!
Loucuras do dia-a-dia.