Sobre o patético

Eu só queria que soubesses que em momento algum quis que tivesses pena de mim. Em momento algum quis usar a minha dor para te convencer a voltar. Em momento algum quis te telefonar para que me ouvisses chorar e te sentisses um merda por isso. Em momento algum.
Talvez tenha sido infeliz em minha ligação, sim. Mas tu me conheces... fui te pedir desculpas por não conseguir te ajudar e acabei me deparando com algo que me causou certo desconforto. O que me fez te ligar. Eu sei que não tenho mais direito de sentir ciúme nenhum, muito menos de te cobrar nada ou querer saber do que faz ou deixa de fazer, eu sei. Desculpe, eu não tenho tanto controle sobre certas coisas, apenas sinto e ponto final. Vou tentar não externar desse jeito. De novo, desculpe.
Mas eu não consigo ser simples. Assim, simplesmente, acabou. Não digo de repente. Mas é difícil, é muito difícil aceitar isso. Eu sei que tens teus problemas e eu juro que queria poder tirar eles todos de ti. Tudo que eu mais queria era te afogar num abraço e só te deixar sair quando tua vida estivesse de volta nos eixos. Eu não te culpo pelo meu sofrimento, eu culpo a mim mesma. Meu problema é não saber dosar meus sentimentos e minhas sensações. Talvez tenha me dado mais do que devia a ti. Não, fiz isso sim, me entreguei completamente e agora não sei mais me ter sozinha.
Meu choro não é intencional, meu sofrimento não é forçado, nada disso, nada mesmo, acontece para que te sintas mal ou para que voltes pra mim por pena. Na verdade, pena é a última coisa que eu queria que alguém sentisse por mim. Não sei mais o que é orgulho ou confiança ou segurança ou respeito por quem sou ou fui. E não, NÃO estou te culpando por isso, mas a mim mesma.
Do mesmo jeito que precisas que eu aceite que acabou, eu preciso que aceite que nada disso é feito propositalmente. E que se acontece é por que o que sinto é forte demais e me dói não poder te ter, como já me doía te ter tão longe, como nunca soube lidar bem com a falta que me fazia e que, agora, me faz muito mais. Não consigo aceitar um fim desses para um amor desse tamanho, não consigo. Não dá para dar um fim. Essa sensação me corrói por dentro. É isso que me angustia, que me tira o sono, o ar, o sossego.

Sinto muito a tua falta.

22 comentários:

Camilinha disse...

Já não te posso exigir

Que me deixe por aqui, na minha quina.

Fez-me tão sua

Que perdi meu endereço.

É tarde, sim.

Vicie-me nesta leveza de deitar em seu peito,

Inclinada sobre as tuas frases,

Pousada no silêncio da tua respiração.

E detenho-me em lembranças

Das tuas minuciosas histórias,

Dos teus beijos insistentes,

Das tuas mãos irrepetíveis,

E teus olhos...

Fizeste do presente

Esta mina de ouro

Que reluz diante da consciente

Vontade de ti.

Não é que a vida doa quando há ausência,

É que ela se faz mar com tua presença.

E já não compreendo como o céu pode ser tão

Azul se você demora,

Ou a noite tão estrelada

Se você se esconde.

Devo-te a sabedoria da partilha pura do desejo

Devo-te o conhecimento da menina oculta

Devo-te a construção da ponte sobre o buraco das nossas diferenças.

E porque ainda não te sei

Ouve minha prece:

Não me deixe desaparecer

Não desapareça.

Ataualpa S.Pereira disse...

"Sobre o Patético" é ótimo. E, realmente, o texto trouxe lembranças...patéticas.

Mas é uma situação compreensível.

Até a esquena.

É Camila. disse...

B., é incrível como sua inconstância grita! Para entender, digo que teus diálogos eróticos não parecem ser da mesma autoria dessas cartas (não?)-enviadas.
Incrível. Instiga. São fatos tão contrastantes!
E posso me identificar. Não se sente, num momento de fortaleza, como se pode ser tão vulnerável nestes outros certos dias, não é? Incrível.


Fique bem, querida.




Ps.: Do Amor Laico Impropério? Já conheci, mas, de fato... Tão... ausente! Uma pena tê-lo visto já nas últimas. :( Mas obrigada pela dica.

BABI SOLER disse...

Desabafo sincero.
Um beijo

Lizzie disse...

E sabes, depois de falar tudo isso a gente sente falta da gente mesmo.
Algumas pessoas acreditam que nós convencemos pela dor ou pelo choro, como se fosse pra ludibriar ou emocionar, mas não. É quase inerente à nossa vontade.
Eu bem sei.




Te adoro.
Beijos
www.lizziepohlmann.com

Ane Talita disse...

Querida...
Fiquei sem ar ao ler essa carta...Não sei se é verídica ou ficção, mas me parece sincera demais para ser apenas imaginação...
Posso te entender, entender cada o real significado de cada palavra dese desabafo...
Como vc mesma já me disse: característico das almas inquietas...

beijo!
e carinho.

Leila Saads disse...

Tem um poema meu que diz assim:

É na ausência
Que sinto meu amor
Mais forte

Mais acre
Mais arisco
Mais ácido

Dói na alma

Medo do fim
Medo do só

Então me lembro
Do que alguém mais
Lispector que eu
Um dia se perguntou:

-Será amor então
Entregar a própria solidão
A outra pessoa?




Ficou lindo o desabafo, lindo mesmo. Me sinto assim muitas vezes. É tanto amor transbordando que a dor da separação aparece na mesma intensidade. Mas o tempo tende a fechar as feridas, todos nós temos o direito de sermos livres.

(Ah, nesse post tive a mesma opinião da Ane Talita.)


Beijos!

Ariana disse...

Que situação hem!
Belo desabafoo!

Beijo*

Tyler Bazz disse...

Um soco, bem dado, no meu estômago...

o antiambiente disse...

ah, essa coisa doída...
essa palavra que não
me atrevo mais a dizer...

/L. disse...

Estranho, e ao mesmo tempo comnpreensível. Como se pode estar tanto nas mãos de uma outra pessoa? Nela está a esperança de ser feliz, de ter um sorriso..
Por mais que a culpa não seja dele... mas é complicado pra ele, pois sempre ele vai estar entre as suas vontades e as vontades dele mesmo.
Tente se conter um pouco mais, por mais que seja complicado e quando leio textos assim tenho a plena certeza que irei passar por isso quando o meu acabar.. mas é o único conselho que se possa dar.
=**'s

Gabriela. disse...

Tão meu, que só poderia ser mesmo seu!

Lúcia disse...

Me ensina a jogar com a verdade e a transparência?
Porque, quanto mais conheço os homens, mais insegura a insegurança deles me deixa...

Vitor Tamar disse...

Eu acho que poderia ter escrito isso algum dia... em algum momento da minha vida...

Ana Gotz disse...

Conflitos amorosos... acho que muitas pessoas se identificaram com essa carta dolorida...

Espere que tudo acabe bem...

Francieli Hess disse...

Ah, estou de volta, ando tão sem tempo para o blog. Sinto falta daqui às vezes, a literatura blogueira é, de fato, deveras interessante.
Belo escrito, como sempre, surpreendente, que me tira o fôlego, acabo ficando quase sem ar. Parabéns!

PequenAprendiz disse...

Srta. Bárbara
Lindo seu jeito de expor a dor do fim.
Li alguma vez, em algum lugar, que ao se envolver com alguém deveríamos deixar uma cordinha pra saber como voltar ao nosso EU depois de tanta mistura da gente com o outro.
Não deixo cordas, acho que quem ama mesmo não deixa tbm, aprecio a entrega feliz e o desespero da falta.
Beijos.

Lee disse...

Reconheço a intensidade, ainda que suprimida pelo limite da letra... da estrutura que ainda ousa prender a fera que tanto se desespera e rasga magestosa a seda que é a razão frágil diante do que se é... E simplesmente se é...
Hum...
Slept.

Fala, Garoto! disse...

O amor é traiçoeiro! Bjão

Camilinha disse...

... eu sou patética...hehe

Dorothy C.S. disse...

Eu acho que poderia ter escrito isso algum dia... em algum momento da minha vida...(2)

É incrível como vc me revela o porquê de muitos dos meus atos passados...
Coisas que só descobri lendo Devaneios e Loucuras... Me conheci mais por você!!!

Admiração imensurável...

Anônimo disse...

Nao sou o unico! como sei o que e essa entrega! ja me disseram que e os desamoros! e nao os amores! mas para mim uma frase fez todo o sentido.
sou uma linda ARvore e como tal necessito de cuidados!
de certeza que nao ha ai muitas maos que nos saibam cuidar!!!
so sei lhe dizer muita força !!
e fuja dos desamores!