Entrevistando Sebastião Moura

A quinta entrevista do D&L traz um amigo muito querido, o Sebastião Moura (24), dono do Etc... e parceiro de romances urbanos no Onabru. Sei que já deixei claro que é um critério meu a admiração que sinto por aqueles que escolhi entrevistar. Mas existem os ainda mais especiais. Ele é um exemplo. Dessas pessoas que encantam com facilidade, ganham sua atenção e carinho. Que sabem apreciar as coisas boas da vida. Boas e simples. Aliás, quando o leio ou converso com ele, tenho a nítida certeza de que a simplicidade é o caminho certo a ser seguido e que a inteligência é muito mais bonita do que eu imaginei.

B. - Diga-me, moço, quem é Sebastião?
Sebastião - Já começa assim? Difícil resumir qualquer um em algumas palavras, não? Sou um monte de coisas. Um pensante, eu diria.

B. - Só por curiosidade, no que está pensando agora?
Sebastião - Que Belém não tem tantas opções de lazer quanto eu gostaria.

B. - De quais sente falta?
Sebastião - De mais cinemas. Aqui em Belém há bem poucas salas e menos ainda salas onde são exibidos os filmes que não vêm de Hollywood.

B. - Das artes, qual mais lhe atrai?
Sebastião - Quanto mais mexer com os sentidos, mais atraente é. Primeiro, som, música. Depois, a visão, o vídeo. Gosto de apresentações de bandas, grupos musicais. Cinema, nem se fala... e claro, a leitura!

B. - Onde está a escrita?
Sebastião - Ah, sou um admirador dos que escrevem bem. Tenho meus estilos preferidos, autores preferidos. Mas para escrever, sou um mero amador.

B. - Você não acha que escreve bem?
Sebastião - Gramaticalmente, acho que sim (risos). Mas me acho muito preso. Não consigo criar um poema, veja só... ao menos nunca escrevi um. O que escrevo é baseado em experiências pessoais - e nem poderia ser diferente, não?

B. - Acredito piamente que não. Mas acho que existem estilos. Não é por que você não escreve poemas, que não escreve bem. Pelo contrário. Conheço pessoas que admiram sua escrita e eu sou uma delas. Agora, conta como você entrou no mundo dos blogs.
Sebastião - Queria compartilhar idéias. No início era algo sem muita definição e achei que o nome veio bem a calhar - Etc... -, hoje, continuo com a mesma idéia... mas bem mais maduro. Mais de um ano se passou desde o início, muitas coisas na minha vida mudaram. Cheguei a escrever em outro blog, eram seis mulheres e eu, único homem. Havia dia certo na semana para cada um publicar seu texto, aí não deu certo. Escrevo como passatempo, é diversão. A obrigação tirava a graça, então saí.

B. - Você não deve ter muitos problemas com o nosso projeto, o Onabru, nesse sentido (risos).
Sebastião - Não, nenhum. Lá o funcionamento é diferente, da maneira ideal pra mim. Lembro de ter explicado isso pra moça que me convidou, na época do convite, e ela entendeu.

B. - Moça legal, né? Compreensível! (Risos)
Sebastião - Sim, bastante! E tem muitas outras qualidades!

B. - Você pensa em um destino para o Pedro, o seu personagem no romance? Ou vai deixar as coisas acontecerem a partir das postagens dos outros autores?
Sebastião - Mais ou menos. Tenho algo esboçado, não é nada certo, só uma idéia. Mas, sim, depende dos outros personagens, afinal, a graça é essa, muitas mãos a escrever, a interação entre os personagens.

B. - Com certeza. Mas diga: quem foi Sebastião no passado?
Sebastião - Foi uma criança muito tranqüila que gostava de suas férias nas praias, da casa de sua avó, de brincar com os primos e de observar o mundo à sua volta, principalmente quando encontrava algum bicho pequeno, inseto, no quintal de casa. Foi um adolescente cheio de inseguranças, de indecisões, de desejos, que teve bons e grandes amigos - e que continuam até hoje.

B. - O que é essencial pra você?
Sebastião - Muita coisa. Oxigênio, por exemplo! Em termos de relacionamentos: honestidade e confiança. No meu dia a dia: um bom sono! Na hora de dormir: que não faça calor e não tenha mosquitos, e se houver um travesseiro, ótimo!

B. - Já que falou em relacionamentos, você perdoaria uma traição?
Sebastião - Já perdoei, costumo perdoar fácil. Não tenho problemas com isso, mas, é claro, nunca mais será como antes. A gente aprende, não? É uma questão de cuidado, autopreservação, mas sem mágoas, sem rancores.

B. - E você, já traiu?
Sebastião - É... sim... Nada que eu sinta orgulho de ter feito. Não faria novamente, a ressaca moral é terrível, acredite!

B. - Acredito.
Sebastião - Mesmo?

B. - Claro. Por que não?
Sebastião - Acredito que a maioria das pessoas, em proporções diferentes, já traíram ao menos uma vez na vida. Já traíste, senhorita Bárbara?

B. - Costumo dizer que não, nunca me senti traindo ninguém. Nenhum namorado, digo.
Sebastião - Não disse nada sobre namorados... perguntei se já traíste! Uma das piores traições, acho, são as nossas, conosco, quando nos traímos. Quando nos anulamos, nos violentamos.

B. - É... então já devo ter traído sim. Talvez eu deva refletir mais sobre isso...
Sebastião - Sim, sim, reflita. É sempre bom! Senhorita bárbara é evasiva! Que estratégia, heim! (Risos)

B. - Estou sendo evasiva por que eu realmente não sei (risos). Mas, ei, o feitiço está virando contra o feiticeiro! Vamos voltar à sua entrevista...
Sebastião - (Risos)

B. - Como definiria o amor?
Sebastião - Essa foi em cheio... me pegou. Sinto, mas não sei definir. Deixo isso para os poetas, eles costumam ser bem mais competentes nesses assuntos. Bárbara, muito mais habilidosa que eu com as palavras, consegues?

B. - Eu? Eu nem sei se ele existe... (risos)
Sebastião - Existe, sim!

B. - O que mais lhe atrai em uma mulher?
Sebastião - Ultimamente, muito me atrai o bom humor e a inteligência. Sinceridade é muito apreciada. Beleza física, traços delicados, belas curvas, ganham pontos, mentiria se dissesse que não. Mas as três primeiras características que disse, são, sim, o que mais me atraem.

B. - Quem será Sebastião no futuro?
Sebastião - Um psicólogo de profissão e coração, provavelmente pesquisador, um pai amante dos filhos, um contra-baixista, dono de uma casinha na praia.

B. - Vamos tentar fazer um pingue-pongue? Eu falo uma palavra e você me responde com algo que lhe remeta a ela.
Sebastião - Tudo bem.

B. - Uma música.
Sebastião - In the hall of mountain king, do Edvard Grieg.
B. - Um filme.
Sebastião - Um sonho de liberdade.
B. - Um livro.
Sebastião - O mundo assombrado pelos demônios, do Carl Sagan.
B. - Um nome.
Sebastião - Ângela.
B. - Um sentimento.
Sebastião - Paixão.
B. - Um cheiro.
Sebastião - Livro novo.
B. - Um desejo.
Sebastião - Viagens.
B. - Um beijo.
Sebastião - Carinhoso.
B. - Um lugar.
Sebastião - Minha casa.

B. - Acho que chegamos ao final, moço bonito. Há algo mais que queira falar?
Sebastião - A entrevista não doeu nada, muito gostosa, muito parecida como os papos que levamos corriqueiramente. Um dia vamos trocar esses papéis!

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Uma parceria nossa: Ele, ela, praia, tequila...

Visitem: http://etceterareticencias.blogspot.com/
http://onabru-urbano.blogspot.com/

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Outras entrevistas: Vitor Tamar
Gabriela Cruz
Alessando Sachetti
Lúcia Ramos

8 comentários:

Gabriela. disse...

Nooooooooossa!

psicólogo e morando no Pará!

Só falta estudar na UFPA! Te disse que to tentando um intercâmbio pra estudar um semestre lá?

Adorei esse cara! adoraria conhecê-lo pra me falar mais e mal de Belém! rs

disse...

Menina, que reflexiva a entrevista, não poderia ser diferente vindo do Sabá, né?

Quer dizer então que a Gabriela tá querendo vir pra cá estudar na Federal? Gabi! Eu estudo lá tbm, te apresento a beira do rio. Que tal?

Camilinha disse...

Eu e o Nelson adoramos a entrevista! Vamos dar uma passadinha no Etc... para saber quem é Pedro, porque o Sebastião a gente acabou de conhecer... hehe


beijos daqui...

BABI SOLER disse...

Muito legal!
Vou visitar.

Fala, Garoto! disse...

Oi, tudo bem? Interessante a entrevista. A abordagem é excelente. Os jornais poderiam copiá-la, já que aquelas entrevistas de "Personalidade da Semana" não acrescentam em nada. Bj

nj.marabuto disse...

sim sim... já até dei uns conselhos pro pedro e talz... (rs)

bjo

Lúcia disse...

Só agora tive internet e calma, os dois juntos, pra ler a entrevista com esse moço sagaz (ahhhh, gastando o vocabulário!), que tentou virar o jogo o tempo todo...! Acho até que ele seria um ótimo entrevistador, hein!
Adorei conhecer! E olha as coisas em comum: acho que nesta minha cidade falta, também, locais onde a gente tenha mais opções de filmes, aqueles que não vêm dos grandes estúdios... E também fui uma grande observadora quando criança... praticamente uma esponja: absorvia e filtrava tudo! E uma das coisas que eu mais gostava era observar paisagens, bichos... Quanto menor o bicho, mais interessante ele ficava: como é que pode, uma coisa tão pequena e com a estrutura tão organizada?! Ficava encantada... quis ser veterinária, depois bióloga. Fui parar na dança e na arquitetura: continuei priorizando a percepção corporal e espacial! É, a gente acha que muda tanto, mas a essência continua sempre lá!
Muito interessante! Logo logo visito suas páginas, Sebastião!

Beijos

Escola Artur B. Maia disse...

Que bela entrevista. Quebela conversa. Aproveitei e fui ao blog do Sebastião. Gostei da escrita dele. E sempre gosto da sua. Mas você já sabe disso ne mocinha?

ps. Hum, meu primeiro livro de poesia já está pronto. Eu acho que estar pronto. Tenho que me livrar dele senão o ficarei escrevendo até o fim de meus dias e nunca mais virá outro kkkkkk. Tá faltando só uns detalhes de revisão e umas ilustrações que um amigo fará e pimba. É só mandar pra uma editora que parece está interessado. Tomara que esteja mesmo. Te avisarei quando o bichinho sair. ok?

beijoO moça