Devassa

Ato I


Estou no clímax da minha vida, naquele ponto em que tudo se encaixa. Tudo, eu falei, vem na hora certa para depois ir e vir e ir e vir e ir e... bem, o que interessa é que as coisas funcionam e eu me satisfaço. Não vejo rostos apáticos, não escuto banalidades, não me atenho a deveres, não me envolvo com utopias. Eu sou o real, o palpável, o tangível. Aquilo que pode ser marcado a unhas, dentes e cera de velas. Do que eu estou falando? Daquilo que você quer me ouvir falar, daquilo que lhe interessa e que aparece na sua cabeça toda vez que escuta meu nome ou tem uma leve lembrança de mim. Sim, de sexo. É nisso que o assunto se baseia, é apenas isso que liga você a mim. O externo, o desejo pulsando nas veias, o calor subindo pernas à cima, as mãos descendo cintura a baixo: ousadia pura. Sei que minhas palavras já fazem seu sangue ferver a um ponto inesperado, sei bem do meu poder sobre você e sobre qualquer outro, simplesmente por não ser mais uma pudica no mundo. Não pense que vejo nisso algo favorável ou surpreendente. Você não é ninguém para mim. Talvez me tenha sua agora, mas daqui a algumas horas ou semanas, serei de quem eu quiser, até minha ou do meu vibrador. Modernidade excitante, com suas devidas retificações. Prefiro o que eu posso deixar vermelho ou o que pode me apertar contra a parede e me chamar do nome mais chulo que lhe vier à cabeça. Então, eu pego minhas coisas, tiro da minha vida o excesso ou o que já está estragado e vou à procura de novidades. Se quiser, posso contar algumas das minhas histórias ou fazer com que viva uma comigo. Posso lhe provocar a beira do insuportável, ao ponto do desespero. Não estou contando vantagem, apenas sei das minhas qualidades e da minha fome incontrolável. Fome de gozo, de suor, de vida.

13 comentários:

nj.marabuto disse...

ah como é aparentemente incrível essa sensação de poder, a conveniência lúcida da manipulação mais prazerosa, a lascívia consciente e auto-suficiente! foda é quando a gente se cansa de não criar vínculo com nada, se sente meio vazio no meio de tantos pormenores efêmeros. foda é quando somos atropelados pelo tesão, pela luxúria e, pouco tempo depois, somos só corpos com as tripas da alma expostas, sôfrega carcaça, estirados no chão...

sei que existe algo além disso que prefiro não conceituar. sei que deve haver algo que dê a tudo um sentido, uma sensação de completude. sei que alguém além de mim deve estar procurando por isso. e, então, o prazer será submisso... não eu... nem você...


ps.: respondendo a tua pergunta: não me considero um cara impulsivo, mas certamente intenso.

beijos.

Sentimental ♥ disse...

Você expressou nesse texto o q mais da metade da população feminina tem vontade de falar pros pseudos amantes.
Obrigada.
beijos

Camilinha disse...

O Nelson é impulsivo sim!!! hehe
e ansioso e adora criar expectativas!!!! (lavando roupa limpa...rs)

com relação ao texto: Parabéns. Quando eu acho que vc não me surpreenderia mais - bum! Uma delícia aterradora me salta desta tua página vermelha!

beijos daqui...

Helder Hortta disse...

B, como estas?

Você é sempre languida.

beijo

Fala, Garoto! disse...

Gente, essa mulher é um perigo. Com diz a frase, "a mulher é a rainha do mundo e escrava de um desejo". Bjão

Juliana Caribé disse...

Menina, que foto é essa? Meu Deus!
Sabe, eu também tenho essa fome de vida que você diz. O problema é que essa talvez seja a mais difícil de saciar...


Que Nikon você ganhou?

Beijos.

Sentimental ♥ disse...

Lindinha, tem uma coisinha pra vc lá no Sentimento.
Beijos

Paul disse...

Você sabe o que quer quem vem aqui ler você. Você sabe o que você quer. Talvez tenhamos uam história e só... NÃO !! NÃO !! De forma alguma é só isso !! É a vida, a vontade de senti-la, de gozá-la, que também nos tarz aqui para ler.

Paulo Fernando disse...

Intensidade, fogo, muito, mas muito desejo! Tudo isso escorre pelas pegadas desenhadas com gozo. Vejo na sombra de suas palavras uma necessidade tão forte quanto imprescindível de sugar a energia vital do universo pra si. Portsnto: cedo a minha parte.

Bjos, minha querida!

julio de castro disse...

intelectual demais, moça.

beijão.

Lúcia disse...

Ah, Julio, o intelectual pode sempre ficar muito excitante se temperado com criatividade!

E com licença, porque "J'ai très envie de te faire jouir et hurler de plaisir"! Hahaha!

mary ienke disse...

"Você expressou nesse texto o q mais da metade da população feminina tem vontade de falar pros pseudos amantes."

Concordo plenamente com esse comentário;
parabéns, com certeza calou e despertou muia gente :D

PequenAprendiz disse...

Gostei das verdades expostas. Quem disse que a gente só quer beijo e carinho?
Literal império dos sentidos.
Boa semana!
Bjão