- Você tem certeza? – Ela perguntou, os olhos cheios de lágrimas, o desespero tomando conta, pouco a pouco, do seu ser.
- Sim... – Ele respondeu, quase num sussurro. A cabeça baixa e a voz embargada pela emoção denunciavam seus sentimentos.
- E a gente? Acabou?
Aquelas últimas palavras doeram ao serem pronunciadas e a dor maior vinha com a certeza do que ouviria. Era o fim.
- Sim... – Outra resposta vaga, com os olhos no chão, o cabelo na frente do rosto, ele continuava imóvel.
- A gente pode tentar continuar... – Ela não acreditava que ele ia desistir assim, fácil.
- Não dá. Entenda, por favor. – Ele pediu, como se quisesse pôr um fim no assunto.
- Não, eu não entendo. Você nem ao menos olha nos meus olhos. Nem isso eu mereço mais? – A voz já se elevara e a emoção já tomara conta dela, por inteira. Seu rosto banhado pelas lágrimas carregava uma expressão de sofrimento extremo, de muita dor e tristeza.
Ela esperou por uma reação dele, mas ele continuava imóvel. Passou quase meia hora assim: ela calada e observando ele sentado, cabisbaixo, mal se movendo para respirar. Até que, após um longo e, o que pareceu, doloroso suspiro, os olhos se encontraram. Ele tinha no rosto um olhar perdido e vazio, uma expressão triste, quase irreconhecível.
- Você merece muito mais do que isso... – Foi a única coisa que ele conseguiu dizer antes de voltar a encarar o chão e a chorar como uma criança.
Aquela cena era insuportável, ela não agüentou. Aproximou-se dele, hesitante. Afagou-lhe o cabelo e recebeu um abraço forte, em troca. Era sincero o que sentiam, era verdadeiro. Tantos erros cometidos, muitos arrependimentos. Tantas provas de amor, cartas, declarações, flores. Tudo aquilo ia durar pra sempre, ela tinha certeza.
Naquele dia, se amaram, se beijaram com a ânsia de dois desesperados, com a vontade de quem se gosta, com o calor dos apaixonados, como se fosse a última vez...

5 comentários:

Carlos qualquer coisa disse...

Uma cena muito intensa. E no entanto, bastante próxima à realidade. Pelo menos a realidade de algumas pessoas.

Para mim, o escrito começou a andar como o homem lúcido, de passos duros e postura firme, mas, em algum ponto, ele parece que embriagou-se, entortou os passos, curvou a postura e perdeu a lucidez, tropeçando num devaneio saliente na calçada, caindo por fim num bueiro aberto da loucura.

Quisera eu que as despedidas fossem intensas, ou mesmo as palavras fossem mais calorosas do que um olhar gélido, seguido de um movimento incompleto, vazio de qualquer sentido senão a pura mecânica das maquinas-humanas.

Quisera eu...

Edson Bezerra disse...

Pelo menos tiveram o olhar como um final(?)

O pior é nem se sentirem assim para avaliar o que realmente queriam. O olhar é o senhor das sensações.

Gabriela. disse...

Ah esses momentos doloridos, minha menina...

disse...

Os fins são sempre terríveis. Principalmente quando eles doem nos dois...

Lindo texto, B.

Lucia disse...

Será que essas histórias têm realmente um fim...?

Te disse que preferia essa dor que parece arrancar órgão por órgão da gente a ferro e brasa, lentamente, depois de uma história cheia de sentido, de paixão e de vida, à cruel maldição de não ter nunca amado assim, tão intensamente... Sim... prefiro.

Beijo carinhoso, mon ange.