26.1.08

Entrevistando Alessandro Sachetti

"Preciso te dizer tudo agora!
Antes que perca as palavras
Antes que me perca entre as palavras
Antes que elas percam o sentido
Antes que o mundo acabe
E que se acabe meu improviso"


Assim é o Alessandro Sachetti (29): poético, intenso, romântico. Dono do [sinequanonsense], é admirável em seu talento, sua força, sua história. Não haveria maneira melhor de começar a terceira entrevista do D&L, do que com palavras de sua própria autoria.

B. - Diga-me... quem é Alessandro?
Alessandro - Sou um geminiano mesmo, hoje sou menos inconstante do que já fui, tento concretizar as coisas que planejo. O que pra mim é super complicado, culpa dessa tendência maluca de mudar de idéia mil vezes antes de ter certeza que eu não vou conseguir ir até o fim. Mas, ainda assim, tem coisas que são eternas e imutáveis, coisas que prezo e não abro mão, a ligação com meu filho, que tem nove anos, com meus amigos, com a música, com a idéia de "brincar" de escrever e a paixão pelo futebol, traduzida nas cores alvinegras do parque são jorge.

B. - Você tem um filho?
Alessandro - Sim.

B. - Qual o nome dele?
Alessandro - Anthony Sakowski Sachetti.

B. - Nossa, nome de lord. Muito bonito. Foi planejado?
Alessandro - Malucamente planejado. Conheci a mãe dele em São Paulo no ano de 1997, depois de 6 meses de namoro, fomos morar juntos, decidimos ter um filho e tivemos. A união durou 2 anos. Agora, ela mora com meu filho em londrina e eu no interior do interior do interior de SP, na divisa com o Paraná, em um lugar obscuro chamado Cândido Mota, que fica há 100km da cidade onde eles moram. Temos uma relação de pai e mãe, a distância é muito chata, dá uma puta saudade, mas a vida segue e vou sempre vê-lo. Sou louco por ele, trouxe novas cores e novos sonhos pra mim. Confesso que demorou um pouco pra cair a ficha, mas acho fantástico e assustador ser pai de um garoto que está na quarta série.

B. - Pode-se dizer que ter o Anthony foi o fato mais marcante da sua vida? .
Alessandro - Com certeza é o mais marcante, sim.

B. - Sempre quis saber como é essa sensação. Você sente muito orgulho dele?
Alessandro - Não sei se dá pra explicar com palavras, exatamente, o que é ser pai. É um sentimento além de qualquer outro, muito além. Sinto orgulho pra caralho, imagina o que é ter um filho que, hoje, já sabe ler e escrever, adora livros. Tem um fato que foi muito forte, quando ele estava começando a aprender a ler, saí com ele e quando paramos em uma esquina, ele olhou uma placa e leu bem devagar: "P-A-R-E". E disse: "Tá escrito pare, pai". Eu não sabia o que fazer, se chorava, se sorria, se apertava ele. É algo muito maluco imaginar que você contribui pra isso, direta e indiretamente.

B. - Nossa, acho que eu cairia em um choro louco (risos). E você, do que acha que ele se orgulharia?
Alessandro - Meus olhos encheram de lágrimas, sou chorão e não tenho vergonha de chorar. Mas, nossa, que difícil pensar nisso, no que ele se orgulharia... é como responder à famosa pergunta: "quais são as suas qualidades?". Talvez eu possa responder de verdade quando ele for maior e entender melhor as coisas. Não quero ser piegas e dizer que ele se orgulha de ter um pai trabalhador, que o ama e blá, blá, blá.

B. - Tudo bem, moço. Falemos um pouco sobre o amor, como você o definiria?
Alessandro - Que difícil (risos). Deixe-me pensar um instante.

B. - Claro, à vontade. Gosto de perguntas não-superficiais, combinam com pessoas profundas como você.
Alessandro - Amar é correr risco e não pulá-los. é estar tranqüilo mesmo morrendo de medo. Nunca consegui definir bem o amor, só senti-lo de uma maneira ou de outra.

B. - Você costuma se entregar completamente ao que sente?
Alessandro - Sempre, se não for inteiro eu nem começo. Seja o que for, desde um paixão irremediável até uma trepada casual.

B. - Li algo no seu blog que falava justamente disso. Faz muito tempo que você escreve?
Alessandro - Comecei a escrever em 2000, para exteriorizar o que sinto e sentia. Não tinha amigos confidentes, precisava colocar pra fora o que sentia ou acho que explodiria.

B. - E você começou pelo blog?
Alessandro - Sim, comecei pelo blog, sem pretensão alguma. escrevia pra mim. Aí tem aquela coisa de conhecer outros blogs, comentar, receber comentários. Eu acho que era uma época mais romântica dos blogs. Não existia orkut, não dava pra saber se a pessoa era branca, negra, azul ou amarela. Eram só palavras que às vezes faziam sentido, às vezes não. Dos diversos blogs que passei, fiz vários amigos, criamos um blog de poesias em conjunto, o Filhos da Letra, que está no ar até hoje, apesar de inativo. Por conta do blog, do antigo - Mar de Sucrilhos -, aconteceram coisas significativas. Alguns dos meus poemas foram usados em uma peça de teatro em Londrina, e como uma coisa leva à outra, acabei conhecendo gente muito boa e que escreve muito bem. Conhecidos e desconhecidos do grande público. Eu continuo desconhecido, mas nunca foi minha intenção ter um 'blog pop'. Escrevo pra mim, alguns malucos passam por lá e acabam se identificando com uma coisa ou outra, assim como eu também, ao passar por outros. Nada além do normal.

B. - Quem foi Alessandro no passado?
Alessandro - Foi uma criança que adorava esportes e sempre que podia se trancava no quarto pra ler Monteiro Lobato. Foi quando conheceu a biblioteca municipal e mais um monte de livros. De alguns tinha medo, de outros não gostava do título ou da capa. Ainda assim queria ler todos. Um adolescente chato, como qualquer um, que gostava de rock n' roll, de futebol e de meninas (risos). Um universitário meio maluco, que gostava das festas e de semiótica.

B. - Você tem algum autor preferido?
Alessandro - Não consigo eleger um como predileto, existem tantos. Seria um sacrilégio, sou geminiano, lembra? Mudo de opinião sobre banda preferida, autor, filme e coisas ligadas à arte, por conhecer algo novo ou por descobrir algo novo nas coisas mais antigas. Agora eu estou lendo Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago, e estou achando fantástico.

B. - E livro pra me indicar, tem? (risos) Acredita que ainda não li nada do Saramago?
Alessandro - Leia, leia! Mas essa é um indicação qualquer, não que ele seja um escritor qualquer, mas ele todo mundo sabe que é bom. Legal é indicar autores malucos e pouco conhecidos. Diria pra vc ler: O livro das cousas que acontecem, do Daniel Pellizzari.

B. - Vou anotar aqui, obrigada (risos). Das artes, qual mais lhe atrai e por quê?
Alessandro - Eu gosto da música, música como arte, como interpretação de que você está escutando algo artístico, de alguém que faz isso bem feito ao ponto de te agradar, seja lá qual for o seu gosto musical ou mau-gosto. Como não ouvir Chico Buarque e conseguir enxergar exatamente o que ele diz na música? Ele cria um mundo nas suas músicas, seja descrevendo uma mulher, fisíca ou psicologicamente ou um sonho bom ou ruim.

B. - Chico Buarque... você tem muito bom gosto.
Alessandro - Voltando a pergunta do amor, acho que uma música de Chico descreve bem, conhece "Tanto Amar"?

B. - Conheço, claro.
Alessandro - "Ele ama tanto e de tanto amar acha que ela é bonita". No sentido que amar é aceitar os defeitos e às vezes até encará-los como qualidades ou charme.

B. - No que você acredita?
Alessandro - Na Globo (risos). Aliás, na Globo e na Veja (risos).

B. - Não me decepcione... (risos)
Alessandro - Eu acredito em mim. Não tenho religião e geralmente sou cético e digo que não acredito em Deus, apesar da formação católica.

B. - Você é uma pessoa livre?
Alessandro - Sim, é piegas, mas a liberdade está dentro, me libertei das coisas que acreditava na infância.

B. - E o que é essencial na sua vida?
Alessandro - Meu filho, meus amigos e minha família. Um copo de cerveja gelada, sentado na praia sem data pra voltar.

B. - Sexo, o que é pra você?
Alessandro - Hoje, o ápice de qualquer relação, onde todo o carinho, a sedução, a cumplicidade se completam. Antes era banal, precisava trepar, desesperadamente. Os valores mudaram. Talvez seja a idade. Não sei dizer se pra todo mundo é assim, mas pra mim é.

B. - Inteligência é fundamental?
Alessandro - Totalmente, é afrodisíaco. Eu broxo com mulher burra. Aliás... não rola nem de broxar, não me daria essa oportunidade. Não só pra sexo, pra qualquer tipo de relação. O que se diz de burrice, não tem nada a ver com conhecimento ou não. Tem gente que se esforça pra ser tapado. Pode ser médico, professor, gari, etc. Não conseguiria conviver muito tempo com gente assim, sem criatividade. Me dá preguiça.

B. - Há beleza na loucura?
Alessandro - Claro! Veja os quadros do Dali! O inverso também é verdade, não?

B. - Sim, sim. E o Alessandro, quem será no futuro?
Alessandro - Um velinho sacana (risos). Brincadeira. É difícil ter certeza do que vai acontecer, impossível até. Há 10 anos eu me imaginava totalmente diferente. Eu mudo os planos de acordo com a maré, se amanhã ou depois eu resolver virar o barco pro outro lado, então lá vou eu. Tenho alguns projetos e algumas vontades, mas tudo isso pode mudar. Geminiano é meio ao léu, segue o que lhe agrada e isso muda sempre. De concreto mesmo, só a vontade de fazer faculdade de letras (estou esperando o resultado do vestibular).

B. - Vestibular? Fez esse ano?
Alessandro - Sim. Unesp em Assis.

B. - Que o resultado seja positivo, então. Vou torcer por você.
Alessandro - Eu também! Obrigado!

B. - É isso, querido. Chegamos ao fim. Há algo mais que você queira dizer?
Alessandro - Quando vamos nos ver (risos)? Eu quero ser esse morango!

B. - (Risos)

***

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23 loucuras:

disse...

Adorei a entrevista. Mto boa. As perguntas fluíram e essa é a melhor forma de entrevistar alguém... traindo o (possível) roteiro.

Layout novo, hein? Ficou lindão.:)

Gabriela. disse...

Gostei muito.

E quem não gostaria de ser este morango???

Irei lê-lo a partir de agora.

Lucia disse...

Vou fazer coro à Jô: adorei a entrevista!

Que delícia ler sobre a história do filho, do aprendizado, de se emocionar com as coisas que ele aprende e faz... esse é um dos meus maiores sonhos: ter um filho, mesmo com a dor de saber que o mundo que ele vai ganhar de presente tem tanta coisa errada, tanta dor, tanta merda... Mas ainda assim, acho que vale a pena. Muito. A vida de cada um é a coisa mais rara e mais bonita que existe. O que dizer então da vida que você dá a alguém que ama??!

Concordo quando ele diz que pelo blog conhecemos muita gente interessante, inteligente, com idéias semelhantes... o mundo de repente fica tão maior e mais interessante do que a gente pensava...! E sabe que eu só fui descobrir isso depois de voltar a me dedicar ao meu blog (que vivia às moscas) no ano passado, depois de ser incentivada por uma certa senhorita B.?!! rs

O "eu broxo com mulher burra" me fez perder o ar de tanto rir...! Acontece o mesmo comigo: se vier com assunto idiota, falar ou escrever errado, o sujeito perde muito ponto comigo. Não consigo ir em frente mesmo!

Enfim, adorei o post, vou conferir depois as páginas do Alessandro!

Beijo estalado em ti.

Lucia disse...

Ah, sim!, preciso também fazer coro à Gabriela: "E quem não gostaria de ser este morango???"
Hahahaha!

Alessandro disse...

hahaha

ficou bem legal.
o layout novo também está ótimo!

Adorei ser entrevistado!

valeu!

beijão miss morango!

Gabriela. disse...

Ah, adorei e muito esse layout vermelho-incêndio-sem-culpa.

Edson Bezerra disse...

Parabéns, querida! Soube muito bem conduzir a entrevista.

E, a propósito, belo template!

M. [doc] B. disse...

Eita que coisa mais boaa! :D
Uma conterraneeea minha! (:
E ainda por cima escreve maravilhosamente bem!

disse...

Bom, que vai dar uma história de amor, isso é bem provável. Se bela já não sei. :P Até pq nem eu conseguiria lidar com a frustração de esses dois não se encontrarem. É demais pro meu coraçãozinho. rs.

Eu gostei bem mais desse layout e adorei a definição do vermelho que a Gabriela deu. rs. Gosto mais de qualquer cor que não seja branco, por isso gostei bem mais desse que do outro. :P

Bjs, baby.

Fraan ♥ disse...

Olá, Barbara. Sabe o que mais me chamou atenção no comentário que você deixou no meu blog (escritosdegateva.blogspot.com)? É o fato de você ter sido a ÚNICA pessoa a ter compreendido o real significado do post.
Morto, morto, morto... segue-se em sequência, e o 'vivo' parece estar tão longe, que chega a ser inatingível.
Enfim, gostei do seu blog, prometo visitar-lhe mais vezes.

Um beijo.

Isa disse...

uau, q coisa mais vermelha !

sua cara :)

keetby. disse...

desculpa mais não é por maldade eu não ter lido o texto, é que não estou aguentando mesmo ficar na frente do pc por muito tempo;
mais sobre o remedio, estou tomando depakote mil miligramas, e diampaz dez miligramas!
mais são remedios receitados; meu pisquiatra que me indica sempre..
espero ter ajudado!
um beijo!

Lucia disse...

Ui, o "layout vermelho-incêndio-sem-culpa" agradou, viu! Também adorei a descrição, Gabriela!

Angústia é horrível, sufoca sim. Muito. E que bom que passa quando se tem contato com o causador de tudo... se ao menos no meu caso houvesse um causador além de mim mesma... Aprendi a me recuperar sozinha, aos poucos, e ando devendo a mim mesma uma tatuagem de fênix. Com esta seriam cinco, e fico pensando se meu corpo ainda aguenta mais marcas...
(pequena pausa para consideração)
Ah, sim, aguenta. Como disse, pago o que for preciso pra ver onde tudo vai dar, por mais marcas que fiquem no "fim".

E, ah, esse morango!... rs

Beijos!

Ácido Poético disse...

Bacana!
Já vou ver o "Filhos da Letra".

Beijos procê, moça!
Brunø

Ane Talita disse...

Adoreiiii a entrevista!
Vou ler esse moço agora mesmo!

beijo, bonita!

Fê Probst disse...

Adorei a entrevista e me identifiquei com o entrevistado. Essa coisa de estar sempre em idecisão, de chorar por qualquer motivo. O filho. Que sensação maravilhosa que ele nos passa sobre ter um filho... Ele é fantástico.

Thiago Kuerques disse...

Boooa boooa...
Dá até vontade de fazer o mesmo.
Muito boa.
Beijao

Gilgomex™ disse...

repórter B.

Layout renovado, mais vermelho, mais paixão.

sempre vou ser seu fã, e seu blog (agora em nova fase total) está lindo.
bjx pra ti.

Monsieur Coçard disse...

ótima entrevista, demonstrando múltiplos talentos hein berenice?
Mas creio que você tenha algo contra os filhos de dalton, não? :D

Nana Flash disse...

Eba, adoro entrevistas :D melhor q as do Jo, voce deixa as pessoas falarem e num faz piada boba... kkkk
Sabe q eu fiquei comovida qdo ele fala do filho, do filho lendo... acho q naum ha nada mais importante p um pai passar p um filho q esse gosto de ler :) eh o melhor jeito da gente ir mais longe.
E deixe disso, eu adoro seu estilo :D
Bjs proces!

L.S. Alves disse...

Acho que devia se especializar em entrevistas. As suas são ótimas.
Um abraço.

Caroline Bigarel disse...

Gostei da entrevista! Pelo menos, incita-nos a vontade de lê-lo.

O Alessandro parece um ser de uma sensibilidade extraordinaria!

Bjs

Ah, gostei do novo layout!

Memories disse...

Oi Moça. Como comentei em outro post adorei a idéia das entrevistas.
E essa em especial está ótima, pois senti muita afinidade entre o entrevistado e a entrevistadora. Muito bom mesmo.

Agora, comentando o seu comentário:
Que bom que alguem sentiu minha falta rsssssssssssss
beijos
Tadeu