In Memoriam

Ela beijou a carta que havia escrito no dia anterior. Uma lágrima molhou o papel, as últimas letras transformaram-se em um borrão ilegível. Ironia ou não, elas diziam: "eu te amo". Não adiantava mais nenhum esforço, nenhum pedido, nenhuma sílaba. Ela sabia disso. Resolveu ler mais uma vez, enquanto convencia-se de que estava fazendo aquilo que era certo.

"Vida minha,

Já não tenho mais forças para agüentar tua indiferença. Não entendo teus problemas, tua vida, mas não é por falta de vontade. Eu apenas não consigo controlar meus impulsos. Preciso de ti como preciso do ar e não te ter dói tanto que me desespera. Não posso mais brigar, não posso mais falar as minhas besteiras, elas estão doendo mais em mim do que em ti. Não quero mais te prejudicar, te magoar ou te deixar triste. Eu preciso te ver feliz e a tua felicidade precisa da minha ausência para existir. Demorei, mas entendi e aceitei, eu tenho que me afastar. Por mais que me machuque, por mais que me doa, eu não vou mudar. Não sei ser diferente, não sei me conter, não sei não falar o que sinto, não sei não enlouquecer quando vejo que não és mais o mesmo, não és mais aquele que conheci. Apaixonado, louco, cheio de desejo. Pode parecer egoísmo, mas é exatamente o oposto disso. Nunca esqueça que ainda te carrego comigo e vou continuar carregando por muito tempo. Meu coração ainda é teu, meu corpo só deseja a ti. Por favor, não duvide de mim, és a única coisa boa que tenho aqui dentro.
Eu te amo.

A tua menina."

Com os olhos transbordando tristeza, ela rasgou o papel. Fez dele mil pedaços e chorou. Encolheu-se no canto, abraçou as pernas e ficou ali: sozinha. Ela e o amor que sentia.

Era mais do que um adeus. Era a morte de uma parte de si mesma.

19 comentários:

Thiago Lira disse...

Faço a mesma coisa.
Só que eu tomo cuidado pra não molhar a carta.

Puta tristeza que bateu!
0_o

Lucia disse...

...! Estou do mesmo jeito hoje: falando nada com nada, fazendo nada de nada... e lendo agora outro texto triste. Essa tristeza toda será talvez reflexo do fim de ano? Só sei que até mesmo "O Bêbado e a Equilibrista" na voz da Elis Regina me deixou melancólica... O jeito é fazer como comentei no blog do Edgar: abrir um vinho pra misturar álcool aos princípios ativos da fluoxetina e do bromazepam ou desligar o som de vez...! Embora quem me conheça não acredite de forma alguma na primeira hipótese _ e estão certos. Que teimosa otimista eu sou!

Bisous

FOXX disse...

ai meu deus
q lindo
lindo
lindo

Monsieur Coçard disse...

lolita???????

beijo teu...

O Incrível Cabeça de Vento disse...

se eu tivesse lido isso ontem, poderia ter chorado sem nem pensar numa crítica para o texto.
hoje eu achei bonito!

Ana D disse...

Toda forma de amor vale a pena...Mesmo os interrompidos...Adoro cartas de amor...Das cartas do Fernando Pessoa até as cartas da moça do terceiro andar...Belo e comovente...

Helder Hortta disse...

Barbara, teu blog é o mais denso que eu leio.

Adoro quando você me pertuba.

beijo-te-moça

disse...

Menina, que coisa mais forte e solitária... doeu daqui... PQ a tristeza é tão bela, né?

E quanto à curiosidade sobre o Ego, cara, tô na mesma. Não tenho idéia do q escrever depois daquilo, tô tão curiosa qto tu, mas acho q tem que ter sim uma noite dessas. :D

Bjs, B.

Camila disse...

Olha.. não dá prá comentar. Eu amo o que leio aqui, e esse não deixou a desejar. Amei. De novo. Parabéns.

Camila.

julio de castro disse...

moça, moça...

ainda me surpreendo com a verdade que vc consegue imprimir nos seus textos.

abraço júlico.

Diva disse...

Tristemente lindo...
Bjs meus

L. Inafuko disse...

"Eu sei e voc� sabe, j� que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levar� voc� de mim
Eu sei e voc� sabe que a dist�ncia n�o existe
Que todo grande amor
S� � bem grande se for triste
Por isso, meu amor
N�o tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra voc�"


triste isso.. me lembrei dessa m�sica ao ler o post..
quem dera fosse ele a cantar isso � menina.. n�o seria t�o triste assim...

fiquei triste agora...

bjuuus

Gilgomex™ disse...

Oi... Então agora também tem entrevistas por aqui? Que fofo! Rs...

Amo seu blog... Mas só sei falar uma frase em francês. E não seie screvê-la muito corretamente:
"Voulez-vous couché avec moi..."

Bjos, linda linda.

Fê Probst disse...

Impossível não chorar junto.

G. disse...

Ai Bárbara, como ousa???

Bateu uma tristeza...

Beijo menina.

fernanda disse...

Podia chorar junto?

Morganna disse...

parecia que era disso que eu tava precisando. bateu uma dor e uma tristeza sem tamanho. era disso, sim.

Critical Watcher disse...

É impressionante como os amores passados continuam a atormentar-nos, mesmo diante de um espaço temporal já distanciado da realidade. Por falar nisso, postei algo parecido com o que você escreveu. No entanto, algo meio metaforizado. Enfim, gostei bastante de suas palavras. São simples, sinceras, profundas e cheias de imaginação. Parabéns pelo blog. =)

Babi disse...

J'adoré...

Vous ëte une excellente écrivaine;

Bisou