Morrendo é que se vive plenamente. E a gente morre vivendo, sim. É como se a cada giro do ponteiro no relógio, uma gota de vida fosse embora e não voltasse mais. Às vezes não dá nem tempo para um último adeus. Ingratidão? Não, algo muito mais bonito que isso: fugacidade. Agora sim, consegue ver como só o nome já reluz? Nada é eterno e, para ser mesmo sincera, se fosse, não teria graça. Seria aquela velha constante cheia de mesmice, marasmo e tédio. Mas quando o pote se esvazia e já não há mais como suprir a necessidade de vida, encontramos o clímax do viver: a morte. Um consolo delicioso para aqueles que conseguem entender o fardo que carregamos assim que nascemos, sem nem sequer pedir por isso. Posso dizer, então, que algo me perturba profundamente: não sei se sou alguém ou apenas mais um número nas estatísticas populacionais. É angustiante pensar nessa possibilidade. Não que eu queira aparecer, mas eu preciso deixar a minha marca ou nada disso valeu a pena.

18 comentários:

o amnésico disse...

Ainda que a memória humana se perca, ainda que a memória das pedras se eroda, ainda que nós não queiramos, cada desejo, cada gesto, cada ato produz conseqüências indeléveis.


O Universo não será o mesmo depois de nossa passagem.

Beijo.

p.s. Perdoe o mau jeito do último comentário; reflexo de pensamentos ruins. E gostei muito do seu, ajudou a colocar as coisas em perspectiva. Obrigado!

Ana D disse...

Será que a gente não deixa a nossa marca não em grandes feitos, mas sim, na maneira como transcorremos a vida: convivências, amores, frustrações, intensidades, choros, risos...Será que apenas isso não é deixar a nossa história escrita...E com certeza a gente sempre marca alguém ou o momento de alguém rsrs...Se é que ser uma grande estrela de rock ou a cientista genial também seria bom rsrs...Enfim, viver intensamente já é marcar sua presença na Terra. Bj

Marcelo Fonseca disse...

Bravo! Você escreve muito bem! Seu blog é lindo! Hoje, conheci o seu bonito texto! Diariamente, estarei aqui bebendo desta fonte de inspiração!

Monsieur Coçard disse...

inevitávelmente deixamos nossa marca em alguém, ou para o bem ou para o mal...

Mariliza Silva disse...

A nossa própria necessidade de deixarmos rastros prova que se viemos foi porque pedimos...Pense!

Beijos querida e quanta saudades!

Adorei seu pequeno mas marcante comentário no meu blog. Sobre ele, é que as vezes cansa esperar e dá vontade de jogar tudo pra cima pra ver o que que cai, entende!

Mariliza

Lub disse...

A clássica

"Escrevemos nossos nomes na areia,
a chuva veio e os apagou, então vamos escrevê-los denovo no cimento, assim as pessoas do futuro vão saber o que nós pretendiamos."

Bom, se seguir o pensamento da teoria do caos todas as nossas ações irão gerar consequências, mesmo a nossa eminente morte, que pode, como você disse, ser adiantada como forma de escapismo.

Mingá. disse...

Tudo isso me lembra Daïtro.

Pelo menos é o que eu tava ouvindo enquanto lia.

^^

Mas é triste pensar no fim. Me apressa!

Edna Federico disse...

É tudo muito contraditório mesmo e há um momento em que vida e morte se fundem...
Deixar a marca nesse mundo...acho que esse é um desejo de todos!
Beijo

Carla disse...

Amei esse post.
Li por acaso.

De quais marcas você fala? Se for no quesito de ser lembrada por pessoas que curtem seu estilo e até irão se basear futuramente em sua sutileza pra editar o próprio espaço, você já deixou a sua.

Bjo.

Gabi disse...

"E o que seria afinal da vida,se seguisse uma linha contínua,retilínea e incessante?
É de cada pequena morte cotidiana que se renasce ileso e apto para morrer de novo."

Há pessoas que marcam sem fazer esforço...

Belíssimo( não vou dizer "como sempre" porque é clichê,porque cada texto é único e porque,ahn,você sabe que é perfeito,né?)

;D

Eu tenho um pouco da Dóris e um pouco do Michel também.

Muita gente se identificou com a Dóris,parece que ela existe um pouco em cada um.

xero enorme,B.

:*

Patrícia disse...

Pode ser que não deixemos grandes feitos para o mundo... mas em algum lugar dele, existe alguem onde um gesto, uma palavra nossa fez mta diferença!
Acho que isso tbm conta! Ou não?
Bjus

dän disse...

nao tem como passar pela vida sem marcar a vida de outras pessoas né. infeliz ou felizmente.

lindo texto.


ps: pedro cardoso, maçante? naaaaao. amo! rs

keetby. disse...

isso me lembrou um filme aonde diz.. "as vezes a morte pode parecer um sonho, mais viver ela, viver de verdade pode ser puta ilusão..."

e sobre o fato de ser apenas mais uma, isso você tire de linha...
pessoas com o dom que você tem, nunca são apenas mais uma...

um beijo

keetby. disse...

*pura

Richard disse...

A culpa inocente, e a possível chance de ser descoberto faz dos qamantes algo curioso. A adrenalina de se esconder e a maior liberdade sexual faz disso uma experiência apetitosa. Concordo, casamento não deveria ser um pré-requisito para a existência de amantes, tira toda a liberdade dessa liberdade.

Lucia disse...

"Tempus fugit", diz sempre um cara muito especial pra mim.
Um tempo atrás eu escrevi: "Seria a vida apenas uma estúpida montanha russa que não nos leva a lugar algum?"
Agora eu me pergunto: "Quem está dirigindo essa montanha russa?" Resposta: EU deveria estar.
Sou responsável pelos passos que dou, por quem cativo, pelas marcas que deixo. Mesmo que às vezes nem perceba essas marcas. Mas, ah, elas estão lá.
Muito embora eu me sinta com freqüência... morrendo. Deixando simplesmente o tempo escapar por não encontrar a chave do enigma, o porquê de tudo. Acredita que eu paro? Que lamento? Que procuro razões?
Sim, a gente morre vivendo. Me vi na sua frase, mesmo sabendo que posso mil coisas. E quero mil coisas.
E o tempo passa.
E eu ainda posso.

Eu sempre posso.

Grande beijo moça!

Bia Pontes disse...

Ah, necessidade de deixar algo da gente neste mundo. Necessidade legítima. Eu penso "do que será que vão lembrar de mim quando eu não estiver aqui?"
Espero que esta fome seja saciada.
Gostei muito daqui!

BABI SOLER disse...

Impressionante como algumas situações marcam a nossa vida e como temos o poder de reverte-las.

Grande beijo.