Ysatsce

Parte III:

Duas mulheres conversam, em pé, junto ao pequeno bar da casa. Ela apenas observa a boca da quase-desconhecida movimentar-se, enquanto a outra conta repetidamente uma história qualquer. O que ela espera é o álcool fazer mais efeito. Exatamente como ele havia previsto, nada fora do script.
- Não consegui pensar em mais nada, foi como se o ladrão tivesse me usurpado, além dos movimentos, os pensamentos. É constrangedor, entende? Ter a mente vazia é mesmo um horror.
- Ahn? Ah, é. Deve ser.

Uma mecha de cabelo teima em cair nos olhos. Um bom motivo para ela aproximar-se um pouco mais, tocando-lhe o rosto para ajudar na tentativa frustrada de livrar sua visão.
- Meu cabelo é temperamental. Acho que vou cortá-lo.
- Não faça isso.
- Por que não?
- Ele é muito bonito, combina contigo.
- Acha mesmo?
- Sim.

De tão próximas, ela consegue calcular cada uma das curvas do corpo da outra com o seu próprio. O calor, o cheiro, o movimento da respiração. Deixando-a sentir os mamilos duros a implorar por algo mais. A outra recua temerosa.
- Não estou entendendo aonde você quer chegar.
- Eu te mostro.

Ela segura com firmeza os cabelos da outra, fazendo com que seu pescoço fique à mostra. Vai dando pequenas lambidas, desenhando um caminho imaginário com a ponta da língua e terminando com uma bela mordida.
- Ai!
- Quanto pudor...
- Doeu, oras!
- Criancinha mal-educada.

Ela a derruba no chão, olhando a porta abrir-se e ele entrar sorrindo. A outra sente-se completamente perdida.
- Pensei que tivesse ido embora.
- Eu sempre reapareço nas horas certas. Parece que te fizeram boa companhia.
- Boa? Essa mulher é louca!
- Definitivamente não sabes o que é loucura.

Ela tira rapidamente o vestido, ficando em pé, com a outra deitada no chão, entre as suas pernas. Ele senta no sofá, aproveitando uma visão privilegiada da cena.
- Você não vai fazer nada?
- O que eu poderia fazer?
- Faça-a parar!
- Eu não.

Ela senta nos seios da outra, fazendo-a olhar seu sexo completamente exposto.
- Gosta do que vê?
- Que pergunta mais sem nexo.

Ela dá um sonoro tapa no rosto da outra.
- Limite-se a responder o que eu pergunto.
- Mas o que isso? Quem é você?
- Aprenda a fechar a boca nas horas certas. Aliás, deixe-a aberta agora.

Ela aproxima seu sexo, forçando-a a sentir seu gosto. A outra mostra-se inebriada pela mistura de sensações que a situação provoca. Ele observa tudo, acariciando-se, extasiado. Ela o olha e o que vê lhe causa um tesão sem tamanho. Vai engatinhando até ele, com os olhos fixos em seu objeto de desejo.
- Não.
- Me deixe ajudá-lo.
- Volte.
- Mas eu...
- Não me decepcione.

Ela volta a atenção mais uma vez ao corpo deitado no chão, tirando a roupa que o cobria e dando o melhor de si, ou de sua boca.

Gemidos tomam conta da sala. Ele já não consegue mais segurar a explosão que se aproxima. A outra derrete-se em prazer nos lábios que a dominam. Ela morre por dentro.

Êxtase ou ecstasy, não importa. O torpor é o mesmo.

A outra recolhe as roupas e sai o mais rápido que pode, deixando ela deitada no chão, de bruços, e ele sentado, suado, sujo.
- Muito bem.
- Não fale comigo.
- Ah, não seja assim...
- Você me recusou. Tem idéia de como me sinto?
- Se sente exatamente como eu quero que se sinta.
- Ótimo.

Ele sobe em cima dela sussurando em seu ouvido. Ela o percebe endurecer mais uma vez.
- Minha menina. Minha menina malcriada.

33 comentários:

Sebastiao Moura disse...

Daqui pude até sentir o cheiro da sala! Hum, hum!

Edna Federico disse...

Vixe...tá pegando fogo ai, hein, riso.
Beijo

Lanark disse...

Tenho uma tara enorme por lesbianismo.



Muito bom, muito bom!

Carlos qualquer coisa disse...

Confesso que fiquei um tanto excitado com seu conto, apesar de por vezes perder ou deixar de lado essa sensação pada ceder lugar ao riso despreocupado. Sim, eu sou muito bobo, você sabe. Mas talvez não seja apenas culpa de minha natural bestice de ser. O conto consegue reunir elementos elaborados e, ao mesmo tempo, outros despreocupados, num acasalamento de imagens que pariram esta bela cena, filha mestiça da loucura e da realidade, assim como as duas personagens, uma excêntrica e desnuda de valores comuns, e outra casta e vestida com valores que encobrem seus desejos, como uma verdade que esconde-se na paisagem, não se revelando aos olhos desatentos. Esse texto me faz lembrar de como você é ao meus olhos, atraente mistura de realidade e loucura. E lá vou eu escrevendo um monte de coisa aparentemente sem sentido. Acho que é culpa da sua má e adorável influência.

Bia Ferreira disse...

les choses sont esquentando par ici...

muito boa história.. continue!! rss

Gabi disse...

Uau!

Aqui a história é quente,hein?

A despeito de taras,fetiches e derivados já comentados pelos pervertidos blogueiros masculinos,vale dizer que o texto é incrível,bem escrito,incomum e delicioso de ler.

Parabéns,mais uma vez.

te linkei lá no Confissões. :D

:*

o amnésico disse...

Há mais ou menos dois meses, tive uma idéia de conto que envolvia duas mulheres num quarto de hotel (ou motel, não pude definir), e que acabei abandonando.

Ainda bem! Comparado com o que você fez aqui, o meu conto erótico soaria como uma história da Disney, das antigas!

A série está soberba!

Beijo.

Thiago Kuerques disse...

Estou esperando a conclusao. Porque voce tem o poder de domar boas historias, uma boa historia.
Beijos

Daniele disse...

B, como tenho estado um tanto azafamada, fiquei um tempo sem entrar e hoje ao entrar vim te ler e coloquei toda a leitura em dia. Fantástico seu texto, aborda com fidalguia cenas cotidianas.

Reitero, tens o dom da escrita, nos enreda na sua prosa, como poucos.

Espero a continuação ...

bisous belle ami

Barão Van Blogh disse...

"...Vem ver a Lua envergonhada
Tímida junto das estrelas surgir..."

Boa semana .

Lüb disse...

E no final da página , em um dos links de propaganda, há uma sobre a venda de canetas de ouro, onde a tampa possui uma aparência sugestiva.

Pedro disse...

Exelente Blog...
Muito bem escrito...
Gnhou um fã!

Diva disse...

Mto gostoso... Aguardo o final... fiquei cheia de desejos, nada convencionais... Ah... tenho algo em draft que me fez lembrar um pouco isto... quem sabe um dia posto?
Bjs meus

Paulo Fernando disse...

De repente, a minha boca enche d'água e seca. Quero aprofundar o olhar sobre essa vitrine de prazeres que se tornou a leitura diária do teu blog.

Como diria Latino: "tesão, sedução, libido no ar. No meu quarto, tem gente até fazendo orgia..." hahahahah

Bjos, minha querida.
Retomei meus escritos!
Aguardo, também, minha vez no ONABRU

Edson Bezerra disse...

A rainha dos contos sensuais!

Lais disse...

Oii
esse conto é muito bom, ui obrigada até procurar os 2 primeiros....ele vai ter continuação?
beijo e v c escreve muito bem

dän disse...

hehehe uia!

laura disse...

céus! consigo até ver a cena oO

otimamente escrito xD


===

sim, a culpa dos problemas sociais são nossos, daqueles que vivem na sociedade
mas é tão dificil querer encarar a realidade...
sentir-se culpada e não conseguir pensar em nada pra mudar é extremamente doloroso
sem falar no medo que tenho das pessoas que vem me pedir qualquer coisa
preciso crescer...

Patrícia disse...

Adorei o conto!!!
Parabens pelo blog, ta mto legal!
Bjus

Duda disse...

confesso que não gostei tanto quanto das duas primeiras partes.
alguns pontos no texto eu achei que ficaram um tanto confusos... mas não liga muito, eu costumo ser bastante crítico. ainda assim ele vale a leitura
beijos!

Ana D disse...

Sim, sim, sim, voc~e tem O DOM ! Creia ! beijo moça

Monsieur Coçard disse...

dona babi!essa série é grande hein? :D

Fê Probst disse...

Delícia.

Mah disse...

Faz tempo que eu nao venho aqui hein dona B.

:*

BABI SOLER disse...

Temperatura alta!
As mil e uma formas de amar...

dän disse...

vim te ler. estou esperando um novo post para poder sair daqui inspirada como sempre :))) beijao!

Katherine Lopes disse...

Olha, muito difícil escrever um conto erótico dessa forma. Detalhada, sensual e não simplesmente vulgar, fazendo o leitor viajar na história por completo. Estou escrevendo meu primeiro livro, na faculdade tenho aulas de produção de textos e roteiros, e por isso digo, se você não estudou para aprender a escrever assim, é um belo dom, e deveria dedicar-se mais e mais a ele. Tenha um bom dia.

Nana Flash disse...

Ta lendo muito Anais Nin heim? ;)
Beijus

Johnny Kagyn disse...

ufa! é só o que posso dizer (não por este belo conto, mas por vc ter apagado a postagem "esta merda acabou"...)

Ácido Poético disse...

O bicho tá pegando...

heheheh

beijo
Brunø

Jota disse...

É de trincar os dentes e salivar, o que você escreve.

Vraiment, il n'y a pas d'innocence dans ce blog.

Escrita poderosa tá aqui.

Beijos.

BABI SOLER disse...

Eu tô linkando. Pode?

Bárbara P. disse...

Uff! Menina, quanta criatividade!

E nada de mandar ninguém dar adeus a nada, viu!