- Ei, espera! Não bata a porta, assim, na minha cara!
- Saia daqui!
- Fique calma, deixe eu entrar. Vamos conversar, por favor.
- Não!
- Por favor, amor.
- Amor? AMOR?

(...)

- É verdade. Nós tivemos um caso sim.
- Ah, e você me fala isso com a maior naturalidade possível?
- Estou sendo sincero.
- Cale a boca! Quem é você pra falar em sinceridade? Vai querer me ensinar o que é fidelidade e lealdade também, filho da puta?!
- Calma! Não precisa baixar o nível, sejamos civilizados. Vim resolver isso tudo, eu não quero, nem posso, perder você, mas preciso que se acalme.
- Me acalmar?

(...)

Seus olhos fitaram com horror a cena de tórrido romance naquela cama imunda de um motel barato. A única coisa que conseguiu sentir foi nojo, muito nojo daquele que pensou ser o homem da sua vida. Tentou gritar, bater, morder, arranhar, matar, mas não teve reação. Eles não a notaram, nem poderiam, estavam tão perdidos em si mesmos que nada além daquele movimento contínuo e prazeroso e de seus gemidos exageradamente altos, importava. Cada segundo doía como um soco no estômago, não podia nem ia mais aguentar aquilo. Andou com passos fortes e sonoros até a mesa onde estavam as coisas pessoais daqueles dois Judas. Jogou tudo no chão. O silêncio que sucedeu suas ações foi desconcertante, os três entreolharam-se por longos minutos até ela dar as costas e caminhar em direção à porta. Sem antes, claro, falar o que estava entalado em sua garganta.
- Eu vi com os olhos que essa terra há de comer. Não me contaram, EU vi. Nunca mais, está ouvindo? Nunca mais me procure, nunca mais nem sequer olhe na minha cara. ACABOU!

(...)

O telefone tocava insistentemente dentro da sua bolsa, já estava sem graça. Naquela reunião tediosa, o seu celular era o único que não os deixava em paz. Resolveu pedir licença, sair e atender a chamada.
- Alô?!
- Oi.
- Fala rápido o que você quer, estou ocupada.
- Juro que não queria te contar algo assim.
- Do que você está falando?
- Teu marido, ele está te traindo.
- Ahn? Que história é essa?
- Acredite em mim. Procure-o no motel perto da tua casa. Estão lá agora, quarto número 13.
- Mas como assim?
- ....
Haviam desligado.

15 comentários:

Paulo Fernando disse...

E assim termina aquilo que poderia ser uma grande história de amor. Talvez digna de um momento oportuno, como ligar pra casa de alguém e encerrar um relacionamento de tantos anos. O certo não pode ser discutível!

Bjossssss, minha linda!
Ps: adoro quando você escreve sobre as relaçoes humanas. Sempre te vejo nos posts! rs

Edson Bezerra disse...

Caraca, que coisa chata!
Realmente vc consegue descrever essas sensações muito bem.
Mas, uma pergunta técnica: esse motel era tão fuleiro assim que uma pessoa podia entrar e ver toda a cena? (rs). Eu, hein! Que lugar "reservado" esse!

Beijão

Jô Beckman disse...

não sei o que faria numa situação dessas afff!
abraços!!

Laura disse...

Do Lado De Dentro
Los Hermanos

Composição: Marcelo Camelo

- Abre essa porta, que direito você tem de me privar
desse castelo que eu construí pra te guardar de todo mau,
desse universo que eu desenhei pra nós ... pra nós
Abre essa porta, não se faz de morta, diz o que é que foi
Já que eu armei tudo pra ti, já que eu cerquei tudo ao redor
Abre essa porta, vai, por favor,
que eu sou teu homem ... viu
que eu sou teu homem ... viu

- Cala esta boca que isso é coisa pouca perto do que passei
Eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões,
que ignorei as outras muitas, muitas
Vai, depois liga diz pra sua irmã passar que eu vou mandar
tudo que é seu que tem aqui tudo que eu não quero guardar
que é pra esquecer de uma só vez
que este castelo só me prendeu, viu ?
Mas o universo hoje se expandiu
E aqui de dentro a porta se abriu

Laura disse...

não estou triste não ^^
estou um pouco reflexiva.. tlz isso me deixe um pouco deprimente, mas creio ser normal

bjuuus..

sabe q eu te adoro né?

brigadão pela preocupação xD

===
ps: esperando novas de lilian XD

dän disse...

conheço essa historia... =/
ainda bem que eu nao era casada!
bem, obrigada pelo comentário que
vc deixou lá no Di-álogos! no texto
"Monólogo" rsrs... que bom que gostou... espero q visite meu outro blog agora: Prililifobia!

beijos, adorei seu espaço!

dän disse...

pelo post abaixo percebi q ja estive por aqui, peço desculpas! vc mudou o template? quando eu vim era mais simples, eu acho... ou estou viajando? rsrs

Ataualpa S.Pereira disse...

Traição. Cedo ou tarde fará parte de qualquer relação, seja no ato ou em intenções. Digo pois, que para evitá-la melhor abolí-la do amor, ou abolir o amor da relação.

Um abraço.

Wagner disse...

Essas coisas de amor às vezes nos faz nos desamar...

Lanark disse...

Esse tipo de coisa me faz me peerguntar se eu não tô melhor solteiro.


E a resposta é não.


Talvez eu não passe de um tolo romântico incorrigível!

Monsieur Coçard disse...

Muito bom, Britney, muito bom!
acho que eu acabaria fazendo u post sobre quantos nomes eu poderia citar apenas de B.!

beijos

Sebastiao Moura disse...

Irreversível, filme, já assististe?

Sr. Personna disse...

Pretensão, medo ou fato?

Mariliza Silva disse...

Bem que falam que nunca estamos sozinhos numa traição!!!!

Beijão minha querida quase francesinha

Mariliza

Mila disse...

É geralmente assim que aconteçe mesmo né? Infelizmente, já passei por uma dessas também!

"mas eu não caio do salto, não ligo, não falto com a minha verdade, sinceridade sai que a fila tem que andar.." Maria Rita!

;*