Dos meus medos e pavores

Nunca fui de me desesperar diante de muita coisa, de sair correndo ou de sentir aquele frio na barriga e, de repente, perceber o sangue escorrendo corpo afora. Mas certas coisas me deixam sem ar, sem reação ou saída, como um desses cães sem dono, vira-lata, com olhos pidões, precisando de abrigo ou ajuda.

1. Multidões:
Odeio essas aglomerações de pessoas sem fim. O empurra-empurra, o suor, o fedor, o falatório interminável. Quando me deparo com algo assim, sinto uma vontade incontrolável de sumir, desaparecer, desfazer-me em milhões de pequenas Bárbaras para facilitar minha fulga. Fico suando frio, gelada, com a cara assustada, parecendo uma louca mesmo.

2. Trovões:
Sim, é ridículo, eu sei. Mas a primeira vez que ouvi um destes estava só em uma das lanchonetes que trabalhei nos EUA (sim, eu fui escrava deles por um ano), chovia muito e eu tinha que fechar as coisas e voltar ao parque temático (sim, era no Six Flags). O barulho era tão grande e tão ensurdecedor que eu pensei que fosse algum tipo de atentado terrorista, por pouco não passei uma mensagem no rádio pro meu chefe perguntando o que estava acontecendo (imaginem a vergonha). Em Recife, não tinha dessas coisas. Digo, tinha, no passado, pois desde que eu voltei das terras lá de cima, ou seja, desde 2005, que durante as chuvas mais fortes o que mais tem aqui é trovão. É hilário como eles me fazem ir pra debaixo das cobertas e colocar o travesseiro em cima da cabeça pra tentar abafar o som ou, se for o caso, correr até encontrar algum lugar mais fechado, dependendo de onde esteja.

3. Pessoas que falam demais:
Eu sou tímida, por mais incrível que possa parecer para alguns, eu sou extremamente anti-social. Não sei chegar nas pessoas para falar, não sei manter conversas intermináveis e animadas com estranhos, não vivo rindo e acenando. Falo o extremamente necessário para o convívio pacífico com os outros, gosto de ficar calada e no silêncio. Gosto da tranqüilidade que a falta de palavras ditas me traz e a aproximação dos chamados "tagarelas" me faz estremecer. Dá pra acreditar? Se algum desses senta perto de mim, eu saio de fininho ou fico rindo sem graça, sem dar um "piu". Claro que isso só se aplica a estranhos, com amigos consigo discutir por horas a fio sem perder o tom.

Seres humanos são patéticos e eu consigo ser pior que isso.

11 comentários:

Fê Probst disse...

Medos todo mundo tem.
Eu odeio a careta do meu pai, por exemplo. Trás medos infantis que ainda insistem em permanescer dentro de mim...
Trovões são sinistros. Parem avisos dos céus de que o fim está perto..
E abelhas. Elas, sem dúvida, são as piores de todas.

Sebastiao Moura disse...

É, todos temos mesmo, mas não acho que sejamos patéticos por conta disso.

Duda disse...

medo todo mundo tem...
me lembrou uma música que eu ando pensando nela bastante ultimamente, Medo, do Titãs.

comentei que é difícil de comentar no seu blog pq os posts são muito pessoais, e sempre achei um tanto difícil comentar esse tipo de post. e comentar só "gostei do post! bjs!" parece uma coisa bem cretina.
beijos!

Lanark disse...

Eu tenho medo de mariposas, bexigas de aniversário estourando e seres humanos em geral.

=]



*Eu não esqueci dela, mas aquele poema não tem nada a ver com o meus sentimentos. E ela pintou o cabelo de ruivo, esqueceste?

=p

Kuriozza disse...

Eu tenho medo de sapo.. trauma de infância. Culpa do meu irmão!

Eu sou tímida e tagarela. Acho que a enxurrada de palavras é uma forma de proteção. Nesse momento acho que essa tal proteção é uma faca de dois gumes...

Pronto. Filosofei ;)

Monsieur Coçard disse...

patéticos e maravilhosos... isso é o que eu mais odeio nessa raça.. a bosta da dualidade...

beijos

Ataualpa S.Pereira disse...

Eu tenho um leve teor sociopata comigo. Só vou a um Shopping para assistir um filme e muito raramente. Não é bem medo, mas provoca uma inquietação.

Mariliza Silva disse...

Minha querida B,

Você deu o primeiro passo para vencer seus medos: reconhecê-los. Atitude de guerreira, porque a honra não está em não ter medo e sim em reconhecê-los e respeitá-los. É nosso instinto de sobrevivência.

Agora chega de filosofia, pois vim aqui para te dizer que amei sua visita ao meu blog. Sei que estou sumida, mas não vou desistir de mim mesma. Eu vou melhorar!

Um grande beijo
Mariliza

Bárbara P. disse...

Eu também não gosto de multidões. Não gosto da sensação de unanimidade que uma multidão possui. "A massa é burra." Pois é, bem por aí.

Eu aprendi a gostar de falar com estranhos, pois eles me abordam em padarias, mercados, filas, onibus, metrôs... E vem com essa conversinha: "Ai, moça, posso desabafar com você?" No começo, eu levantava a sombrancelha e fingia que não tinha entendido bem, mas agora eu ouço e faço como os pingüins do Madagascar: sorrio e aceno.

Trovões? Nasci sob a maior tempestade! Acho que me acostumei com o barulhão.

Abraço!

Ácido Poético disse...

Eu tenho medo de ter medo...

Um beijo apavorantemente carinhoso procê
Brunø

diego bueno disse...

"...sinto uma vontade incontrolável de sumir, desaparecer, desfazer-me em milhões de pequenas Bárbaras para facilitar minha fuga."...ahhahahahaha...sua descrição foi muito engraçada...odeio ficar na frente de muitas pessoas...mas não me incomodo tanto em estar no meio delas...