No mesmo lugar de sempre,
No mesmo horário de sempre,
As duas mesmas pessoas de sempre,
Fazendo a mesma coisa de sempre.
...
Ou não.


- Pára.

- Humm... ahn? O que foi? – Perguntou ele, embriagado, zonzo de tesão.

- Eu quero conversar com você.

- Ah, a gente vê isso depois. – Falou, voltando ao ato.

- Ah... Humm... n..nnão! Pára, é sério!

- Porra, como você consegue ser desagradável quando quer!

- Calma... – Pediu ela, fitando-o nos olhos.

- Você não podia ter escolhido uma hora melhor pra essa conversa! – Ironizou ele, fechando o zíper da calça e procurando a blusa embaixo do banco do carro.

- E que hora seria essa? Você vive pro seu trabalho, pros seus amigos, pra essa merda de futebol... pra tonta da sua mulher e o filhinho retardado de vocês. – Gritou ela, já vestida, vermelha de raiva e vergonha ao mesmo tempo. (Algum vestígio de pudor? Será?).

- Dobre a sua língua pra falar da minha esposa e do meu filho!

- Você vive reclamando deles!

- E daí? Você é uma otária mesmo, cada dia tenho mais certeza disso. Mas o que você queria conversar, afinal? – Falou ele, já mais calmo, já pensando com a cabeça de cima.

- ...

- Fale logo, tenho pressa. Quero voltar pra casa.

- Cedo assim?

- Culpa sua. Quem mandou ser tão broxante?

- Depois a desagradável sou eu...

- Você vai falar logo ou eu posso dar a partida no carro? – Perguntou ele, impaciente. Já não tinha mais paciência para aquela mulher, nem para nenhuma das outras e muito menos para a principal.

- A mensagem que você mandou hoje...

- O que tem ela?

- Você falou que me amava, não lembra?

- Eu? Amar? Você? – Perguntou ele, meio incrédulo.

- Sim.

- Ah, sei lá, mandei tantas mensagens hoje!

- Você esqueceria algo assim?

- O que tem demais? É claro que não é amaaaar, assim, de verdade.

- Como assim “de verdade”? Existe outro tipo de amor?

- Você realmente é idiota, impressionante.

- ...

- Isso é só sexo, sempre foi.

- E por que você tinha que falar em amor? Pra me iludir? Só por que sabe que eu amo você?

- As mulheres gostam de ouvir isso. – Falou ele, sorrindo.

- Eu não gosto! Se você não ama, não fale que ama!

- Sei que todas as outras gostam e é mais fácil transar falando em amor... Mas bem, pouco importa, não quero mais nada com você mesmo.

- Não... ? Você não presta!

- Não! E sai do carro que eu vou pra casa. – Falou ele, encerrando a conversa, empurrando-a para fora e seguindo seu caminho.


E lá ficou ela...
No mesmo lugar de sempre,
No mesmo horário de sempre,
A mesma pessoa de sempre,
Chorando como nunca.

11 comentários:

Lanark disse...

Essas tuas narrativas têm me agradado muito. É interessante notar como situações de desespero, discussões e afins nos inspiram nas nossas ficções.



Keep up the good work!

Mariliza Silva disse...

Vivi, nadei, afoguei e morri na praia...rsrsrsrs

Eita, apareceu a margarida!!! Tava com saudades de ti.

Beijão

Mariliza

Mariliza Silva disse...

hummmm. dejavu.....

eu de novo, again

beijão

Mariliza

Cris disse...

que profundo, ba.

Carol disse...

Homens não valem nada, coitada dela, foi acreditar nele!

Tem um texto antigo no meu blog, chamado 'Dominadora' é de uma amante terminando com o cara =P~
vê se fala pra essa aí seguir o exemplo da minha =PP

beijooss

Monsieur Coçard disse...

eu devo ser uma espécie de homem que .. sei lá.. não consigo ser desse jeito, sempre quis ser o comedor, o fodão, o cara que não tem nem aí, mas tem uma coisa que não me deixa: Consciênca... acho que foi minha criação e formação do intelecto que eu quanto mais cultura absorvia, mais via e descobria que as pessoas têm sentimentos...
bjs

LuccyInTheSky disse...

Eu concordo com vc... Relacionamentos sao tao complicados... O melhor seria se a gente conseguisse nao se envolver... Por que o corpo pede o que a mente diz pra nao tocar... Vai entender.... Amei o blog! Vou voltar com certeza! Bjaum Lu

Descharth disse...

A difícl arte de ser amante...ser aquele que fica em standby a espera de uma migalha afetiva...Mas o que me chamou mais a atenção foi o fato de as coisas ocultas terem explodido com o estopim da palavra "te amo".
Tabu para ele e anseio para ela.Seria vice-versa se os papéis fossem trocados.
Quem seria o culpado?
Há algum?
O homem grosso estupido?
A amante que se sujeita a ser objeto?
Dificil saber...

Johnny Kagyn disse...

O amor, ou os relacionamentos (para não ser tão piegas), não é aquilo foi nos ensinado desde crianças.

A profundidade deste post está no fato de que, embora a maioria não admita, podemos ser qualquer uma das duas partes. A crueldade dominadora e a submissão romântica são características comuns em qualquer relacionamento.

É... Não nos ensinaram sobre isso.

Laura disse...

q triste...
pq sera q as mulheres se deixam enganar assim tão facilmente?
pq sera q existem homens q não mereciam existir??

minhas perguntas que não acho resposta...

Sebastiao Moura disse...

Pessoas como o sujeito do conto, seja homem ou mulher, são difícéis de entender... Já encontrei algumas por aí...