24.9.09

Quase

Estou cega
A vida lá
e eu, - chega!

Estou surda
A dor aqui
e eu, muda

Estou louca
O amor todo
e eu, pouca

4.8.09

Uma pausa breve

Esta é uma das poucas vezes que venho falar diretamente com aqueles que me lêem. O motivo é complicado, a causa talvez seja justa, ou talvez não. O fato é que já faz algumas semanas que venho me deparando com blogs e fotologs cheios de textos meus, e de alguns outros conhecidos dessa blogsfera, descaradamente plagiados. Nesses casos, sempre me pergunto: é falta de criatividade ou admiração torta? Quer dizer que as pessoas saem copiando palavras umas das outras, sem mudar uma letra sequer ou apenas mudando o título, e publicam em seus blogs soltos pela internet achando que ninguém encontrará? Sinto dizer, mas apenas uma busca rápida no google ou no copyscape desmarcara pessoas como:
Enfim, são só alguns exemplos para ilustrar o que digo. Sei que não sou nenhuma Anaïs ou Bukowski ou Sade ou Saramago, mas meus textos são como filhos para mim: quando termino de escrever, é como se eu tivesse acabado de parir. Pelo esforço, por apego, por que, de certa forma, faz parte de mim. Até aceitaria vê-los em outros lugares com os devidos créditos, mas vê-los em outros lugares como se fossem escritos por outras pessoas é uma merda. Por que não estão me roubando nada material, estão roubando o que eu tenho dentro de mim. E isso é estranho demais. Sei que ao postar aqui, deveria achar que, agora, tudo é do mundo e não mais meu, mas não consigo ter um desapego completo.

Isso é só para pedir, educadamente, que se houver uma identificação com qualquer coisa escrita por essas páginas e existir a vontade de reproduzir uma linha que seja, não esqueçam dos créditos. Por favor.

2.8.09

Hanna

Mergulho em pensamentos muito fácil e, na maioria das vezes, acabo verbalizando aquilo que não deveria. Foi assim que me meti em uma das maiores confusões da minha vida. Me diverti muito, mas tive uma grande dor de cabeça. Afinal, um homem apaixonado é pior do que dez mulheres no mesmo estado.

Confesso que a obscenidade daquele olhar me encantou durante um bom tempo e tivemos um relacionamento fora dos padrões. Digamos que envolvia basicamente sexo e quase-nada-mais. O que somou vários pontos positivos para o tal sujeito. Não fazia outra coisa que não trepar, trepar e trepar. Em todos os lugares possíveis, de todos os jeitos, a qualquer hora... Uma loucura só! E até que, lembrando bem, dá saudade. Mas pintos não faltam nesse mundo. Nem bocetas.

O que, diabos, eu falei? Sinceramente, não acho que tenha sido algo surreal. Apenas expus uma vontade que a posição machista dele não aceitou muito bem. Deve ter ficado com o cu piscando. Literalmente. O problema é que a repercussão foi de um tamanho insuportável e eu detesto coisas que não cabem em mim. Se não conseguir aturar, tchau e pronto. Vieram choros, pedidos, telefonemas... o imbecil chegou até a me perseguir. Me encontrava "acidentalmente" mais de uma vez por dia. Todos os dias. Um verdadeiro inferno.

- Quanto tempo você agüenta?

- Depende, o que quer que eu agüente?

- Você só fala e fala e fala e nada mais. Talvez nem note a minha presença.

- Sem dramas, Joana, sem dramas.

- Te esperei tanto...

Olhei aquele rosto tão bem desenhado, de traços tão perfeitos. Os olhos grandes não disfarçavam a insegurança; nem o corpo, os tremores. Havia algo de encantador nela, de perturbador. Tinha um ar pudico, mas me permitia as investidas mais insanas. A boca era deliciosa, mas a preferia calada ou apenas gemendo. Aliás, de uma maneira bem contraditória, uma das coisas que me fizeram voltar a atenção à ela foi a primeira frase que disse, ao que respondi na mesma hora:

- Não seja meu futuro.

- Por quê?

- O presente é sempre mais atraente.

***

26.7.09

.

Cheguei a um ponto de minha vida em que pouca coisa parece me servir, não no sentido de ser útil, puro e simplesmente, mas de ser bom para mim, de me acrescentar em qualquer coisa que seja. Digo ponto tentando dar uma visão mais geométrica, por que sei que daqui para frente posso ir em qualquer direção, posso trilhar meu próprio caminho pontilhado, voltando às inconstâncias dos altos e baixos febris ou mantendo uma reta constante. Porém agora, neste momento, só consigo pensar em trabalhar por mim, para mim e em mim, de todos os sentidos e maneiras, destacando-me, ocupando um ponto maior, visível mesmo a uma longa distância, mas sedentário. Este é, talvez, o momento mais egoísta de todos: egocêntrico e, conseqüentemente, nada altruísta. Como se mostrar-me capaz, melhor e acima de certas coisas e pessoas fosse fundamental. Não estou analisando minha atitude como certa ou errada, não quero me prender a conceitos, apenas constato um fato. Fato este, no momento, irrefutável.

14.6.09

05

- Não quero mais...
- Faz tempo que sei disso.
- E o que quer aqui?
- Nada.
- Nada?
- Nada. Estou apenas contemplando tua vida à distância.
- Não faz sentido. 
- E o que faz?